quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Auto-ajuda da Lulu - precária, mas bem intencionada

Como a minha vida sentimental anda mais parada do que a água onde se reproduzem os mosquitos da dengue, tenho me envolvido bastante com a das minhas amigas – que anda para lá de movimentada, by the way. A questão é que bateu um período meio dor-de-cotovelo geral e eu fico atucanada pensando em como ajudar a resolver algumas coisas, para depois me dar conta que esse é um poder que obviamente eu não tenho. Só cabe a elas. Porcaria de sensação de impotência!

Por outro lado, uma amiga minha das mais próximas mandou um email para um guri esses dias, um desses rolos intermináveis que a maioria de nós temos, que eu achei que se enquadra tanto em tantos casos e que está tão bonitinho, que tive que pedir permissão para colocar aqui. Ele mostra como o tempo realmente é o melhor dos remédios e como a gente amadurece, mesmo em relação a sentimentos.

Então aí vai, o tal email e mais coisinhas aleatórias que eu espero que toque quem puder tocar.




Essa música me fez lembrar de ti algumas vezes. Nada mais justo do que tu ouvir ela lendo isso...
Nos conhecemos há muito tempo atrás. Naquela época, éramos duas crianças tentando entender o turbilhão de emoções dentro da gente (fosse relacionado a nossa família, amigos, escola ou coisas do coração). Tudo era novo e, por isso, se apaixonar era fácil. Confesso que tive bons momentos contigo mas hoje, mais de 10 anos depois, eu sei que vivi tudo aquilo por nós dois. Foi em mim que aquele sentimento, quase que infantil, doeu por anos. Depois de ti, tive outros namorados, conheci um pouco do amor e, junto com isso, veio o auto conhecimento. Eu mudei, e aquelas coisas que antes eu não entendia foram, aos poucos, fazendo sentido pra mim.
Tu deve estar te perguntando aonde eu quero chegar com isso. Vou te explicar. Acredito que não é à toa que o "destino" nos uniu tantas vezes e que, volta e meia, nos pegamos pensando um no outro, ou nos perguntando como seria. Convenhamos, isso não acontece com todo mundo. É quase que cármico, se é que tu me entende. O problema é que, hoje, eu não sei mais o que esperar de ti. E, honestamente...eu não espero.
Estou em uma fase na qual eu olho pro meu próprio umbigo. Se algo, ou alguém, não me satisfaz, eu me afasto. Quero o meu bem antes de qualquer outra coisa e o que tu fez fechou portas pra ti. Foi a atitude errada na hora errada. Mesmo assim, eu quero que tu saiba que isso não quer dizer que essa porta não vai abrir denovo. A grande difereça agora, é que tu vai ter que me mostrar que vale a pena abrir e, antes de qualquer coisa, tu tem que aprender a bater antes de entrar.






El Amor Despues Del Amor
Fito Paez


El amor después del amor, talvez,
Se parezca a este rayo de sol
Y ahora que busqué
Y ahora que encontrré
El perfume que lleva el dolor
En la esencia de las almas
En la ausencia del dolor
Ahora se que ya no
Puedo vivir sin tu amor.
Me hice fuerte ahí,
Donde nunnca vi.
Nadie puede decirme quien soy
Yo lo se muy bien, te aprendí a querer
El perfume que lleva el dolor
En la esencia de las almas
Dice toda religión
Para mí que es el amor
Después del amor.
El amor después del amor, tal vez,
Se parezca a este rayo de sol
Y ahora que busqué
Y ahora que encontré
El perfume que lleva el dolor
En la esencia de las almas
Dice toda religión,
Para mí es el amor después del amor.
Nadie puede y nadie debe vivir sin amor
Una llave por una llave y esa llave es mi amor
Una llave por otrta llave y esa llave es tu amor.


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

FICHA LIMPA

Já falei por aqui sobre o avanço que eu considero a Lei Complementar 135/2010, a chamada "Lei da Ficha Limpa", de iniciativa dos cidadãos brasileiros e que visa coibir verdadeiras monstruosidades eleitorais que eram constantes no nosso país - como a possibilidade de eleição de corruptos praticamente confessos, somente porque sua condenação ainda não havia transitado em julgado (para quem não entende: não haviam se esgotado todos os recursos).

Ocorre que a celeridade não é exatamente uma característica da justiça brasileira e existe uma enorme gama de recursos que acabam sendo utilizados apenas com o fim de prorrogar o tal trânsito em julgado. Em razão disso, políticos sabidamente ladrões conseguiam se candidatar (e pior, eleger-se - salve o povo brasileiro!) repetidas vezes, continuando a usufruir do dinheiro público como bem entendiam. Casos óbvios são Paulo Maluf e Jader Barbalho, por exemplo, mais enrolados do que novelo velho e ainda assim presentes em todas disputas eleitorais pós-redemocratização.

A Lei, todavia, não é unânime e gerou grande controvérsia. Seria constitucional? Não seria uma afronta à presunção de inocência, princípio consagrado na nossa Constituição? Poderia ser aplicada nessas eleições, se passou a viger menos de um ano antes delas? Pois bem, hoje o Supremo Tribunal Federal julgará recurso do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), contra o impedimento de sua candidatura baseado na lei. Apesar de ser um julgamento pessoal, é de extrema importância, pois poderá responder todas as controvérsias apontadas e, assim, refletir diretamente sobre os demais casos de candidatos afetados pela lei. Até agora foram barradas 250 candidaturas em razão da Ficha Limpa.

Para melhor entender a discussão e os argumentos das duas partes, coloquei abaixo dois artigos: um que prega a inconstitucionalidade da lei e outro que defende o contrário. Vale a pena ler, tentar entender, se posicionar e, dependendo da posição, torcer. Porque por incrível que pareça, um julgamento que ocorrerá em Brasília, cujas partes você nunca viu mais gordas, pode sim mudar a sua vida.

A Lei da Ficha Limpa: um avanço institucional?
Murilo Melo Vale


A LC 135/2010, mais conhecida como "Lei da Ficha Limpa", inaugurou no Brasil uma série de novas condições de elegibilidades com o escopo de proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandado. Dentre estas novas inelegibilidades, incluem-se restrições à candidatura de pessoas que tenham contra si ações judiciais em que já houve condenação por órgãos colegiados sem a necessidade, contudo, de que a decisão tenha transitada em julgado.

Ao deparar com a nova lei eleitoral, realmente, o primeiro sentimento que vem à tona é de orgulho e satisfação, posto que esta lei representou uma grande vitória da democracia direta – por ser proposta por iniciativa popular – bem como da repressão à corrupção, que sempre atormentou este país.

No entanto, uma reflexão mais aprofundada nos leva a concluir que a novel legislação eleitoral não representa um avanço institucional, não havendo, por isto, motivos para comemoração.

No decorrer da história recente, foi despendido muito esforço em prol do reconhecimento e da institucionalização de certos direitos fundamentais para o homem. Vejamos, por exemplo, o caso do Princípio da Igualdade Formal: até a pouco mais de 200 anos, pensar que todos os homens são iguais perante a lei era algo inconcebível. Havia privilégios e restrições concedidos em razão do nascimento. Era corriqueira a criação de leis por autoridades cujo poder era amparado por dogmas sagrados, que impunham certas limitações e restrições de direitos apenas a uma classe da população, geralmente, majoritária. Tornou-se necessária, portanto, uma grande revolução mundial, não só no pensamento, como também nas instituições políticas, para garantir a intangibilidade de certos direitos universalmente entendidos como fundamentais a todos os homens, tais como a propriedade, a vida, a liberdade, e muitos outros.

A causa vitoriosa em prol do reconhecimento dos Direitos Fundamentais do homem teve que seguir por sua institucionalização, tendo como marcos históricos, a Declaração de Direitos de 1689 (Bill of Rights), a Constituição Norte-Americana de 1776 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, cujos preceitos foram seguidos pelo constitucionalismo de várias nações. Tal institucionalização fortaleceu-se, ainda, no século passado, com a Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão da ONU (1949) e com o Pacto de São José da Costa Rica (1969).

O fato é que somente após o reconhecimento e a institucionalização dos direitos fundamentais foi possível a criação dos alicerces para a inauguração de um Estado Democrático de Direito, no qual impera a vontade da lei produzida democraticamente e garantidora dos preceitos básicos do ser humano.

Dentre estes direitos, arduamente conquistados na história contemporânea e essenciais para a criação de um Estado Democrático de Direito, encontra-se o Princípio da Presunção de Inocência. Em qualquer Estado Democrático de Direito existente na atualidade, seria insólita e disparatada a alegação de que uma pessoa possa ser considerada má ou culpada por algo, sem que tenha uma decisão definitiva do Estado Julgador. É justamente isto que a Lei da Ficha Limpa se propõe a fazer, ao impedir a candidatura de quem tenha sido condenado, sem que se tenham esgotados todos os recursos cabíveis.

Ora, hodiernamente, incontáveis são os recursos providos para modificar decisões anteriormente proferidas, seja por juiz singular, seja por órgão colegiado. Restringir esse direito fundamental da Presunção da Inocência pode consubstanciar um grande prejuízo, não só para o candidato político, como também para as instituições democráticas. Isto porque, uma eventual injustiça cometida na declaração de inelegibilidade implicará um prejuízo injustificável para o cidadão, que terá seu direito de voto restringido.

Admitir juridicamente estas novas condições de inelegibilidade é uma ofensa à mencionada evolução histórico-institucional que garantiu a intangibilidade dos direitos fundamentais do ser humano. Com efeito, para podermos nos rotular como um Estado Democrático de Direito, é imprescindível o respeito às conquistas políticas e institucionais de nossos antepassados que, com amplo consenso, solidificamos em nossa Constituição da República.

Desta forma, é indiscutível que esta "excepcionalização" de direitos fundamentais, em vista de certas finalidades pragmáticas, apresenta-se no mundo jurídico como um grande retrocesso para o Estado Democrático de Direito, devendo, por isto, ser reprovada social e juridicamente. Caso contrário, em pouco tempo, estaremos aceitando normas que limitem a intimidade, a dignidade, o devido processo legal, o contraditório, bem como outras que possibilitem provas obtidas por meio da tortura, a escravidão, a discriminação racial, a desigualdade formal etc.

Por tal razão, não se pode considerar a "Lei da Ficha Limpa" um avanço para nossa democracia. As novas condições de inelegibilidade devem permanecer, porém condicionadas ao transito em julgado de uma sentença condenatória, a única maneira sensata e democrática de se afirmar que determinada pessoa não é digna de um cargo político.

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FICHA LIMPA
A constitucionalidade da nova lei

Por Dalmo de Abreu Dallari em 21/9/2010



Em breve o Supremo Tribunal Federal deverá julgar um caso que envolve uma decisão sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 135, a chamada Lei da Ficha Limpa. A fim de que se tenha clareza quanto ao que vai ser decidido pela Suprema Corte, é oportuno apresentar uma síntese da situação jurídica e dos questionamentos que deverão ser objeto da decisão do Judiciário.

Em primeiro lugar, é importante assinalar que o Capítulo IV da Constituição trata "Dos Direitos Políticos" e ali se encontra o artigo 14 que, no parágrafo terceiro, faz a enumeração das condições de elegibilidade, ou seja, os requisitos para que alguém possa ser eleito para um cargo político, recebendo o mandato do povo. O parágrafo 7º trata expressamente das situações que tornam uma pessoa inelegível, como, por exemplo, os parentes próximos de uma autoridade, que não podem ser eleitos para substituí-la. E o parágrafo 9º dispõe, com minúcia, sobre as inelegibilidades numa visão mais ampla, prevendo textualmente: "Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta."

Com base nesse dispositivo constitucional foi aprovada a Lei Complementar número 64, de 18 de maio de 1990, estabelecendo outros casos de inelegibilidade, lei que passou a ser conhecida como Lei das Inelegibilidades e que foi parcialmente alterada pela Lei Complementar número 81, de 13 de abril de 1994. Mais recentemente, a partir de iniciativas de segmentos da sociedade brasileira, foi aprovada pelo Congresso Nacional uma nova lei fixando outros casos de inelegibilidade, como previsto na Constituição. Trata-se da Lei Complementar número 135, de 4 de junho de 2010. Desde logo se verifica que o estabelecimento de novos casos de inelegibilidade por meio dessa lei é de inquestionável constitucionalidade, pois essa hipótese está expressamente prevista no artigo 14, parágrafo 9º, da Constituição.

Exigência de moralidade

As dúvidas suscitadas pelos interessados, e que deverão ser dirimidas pelo Supremo Tribunal Federal, referem-se aos casos de condenação em órgão judicial colegiado, ou seja, em órgão com mais de um julgador, num processo de apuração de abuso do poder econômico ou político. Uma das alegações é que a Lei Complementar nº 35 não poderia ser aplicada às eleições deste ano porque a Constituição proíbe a aplicação de uma nova lei a uma eleição que ocorra até um ano depois de sua entrada em vigor. Como a Lei da Ficha Limpa entrou em vigor no dia 7 de junho deste ano, que foi a data de sua publicação, seria inconstitucional aplicá-la às eleições do próximo dia 3 de outubro.

Na realidade, a proibição constitucional não tem a extensão que se pretende dar a essa interdição e não impede a aplicação imediata, nestas eleições, da Lei da Ficha Limpa. Com efeito, o que diz, textualmente, o artigo 16 da Constituição é que "a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência". Ora, processo, como bem esclarece o notável processualista José Frederico Marques, é um conjunto de atos concatenados, que devem ser praticados numa sequência pré-estabelecida, servindo de instrumento para o exercício da função jurisdicional. Ora, o que a Lei da Ficha Limpa faz é, simplesmente, estabelecer condições de inelegibilidade, sem qualquer interferência no processo eleitoral, que continua a ser exatamente o mesmo anteriormente fixado por lei. Não há, portanto, qualquer inconstitucionalidade.

Outra alegação é que a aplicação da Lei da Ficha Limpa a situações estabelecidas anteriormente seria contrária à regra constitucional que proíbe a retroatividade. Também nesse caso está ocorrendo um equívoco. De fato, a Constituição proíbe a aplicação retroativa da lei penal, encontrando-se essa interdição em disposição expressa do artigo 5º, inciso XL, segundo o qual "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu". Ora, não há como confundir uma lei que estabelece condições de inelegibilidade, uma lei sobre as condições para o exercício de direitos políticos, com uma lei penal. Veja-se que a própria Constituição, no já referido artigo 14, parágrafo 9º, manda que seja considerada a vida pregressa do candidato, ou seja, o que ele fez no passado, para avaliação de suas condições de elegibilidade. Assim, pois, não ocorre a alegada inconstitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, porque ela não fixa pena, mas apenas torna explícito um dos aspectos da vida pregressa que podem gerar a inelegibilidade.

Em conclusão, a Lei da Ficha Limpa não afronta qualquer disposição constitucional e, mais do que isso, complementa a exigência constitucional de moralidade para o exercício do mandato.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço




Dentre as diversas opções do Porto Alegre em cena, tenho que me contentar em assistir o que me agrada, no pouco tempo que me sobra. Ou seja: há certa chance de eu não ter tanto sucesso. Pois bem, acho que a sorte está do meu lado: domingo fui ao Teatro CIEEE assistir “Um navio no espaço ou Ana Cristina César”, peça de Paulo José encenada por ele e a sua filha Ana Kutner sobre a poeta Ana Cristina César, considerada um dos expoentes da poesia da geração de 1970. Saí maravilhada, pensativa, curiosa.

Paulo José começa a peça se questionando: “porque mulheres inteligentes se matam”?

E realmente é curioso isso. Parece que a vida rasa, sem maiores questionamentos, é tão mais fácil, não? A poesia precisa de drama, precisa de sofrimento. Parece que só o sofrimento tem conteúdo, a felicidade simplesmente é vivida. Já foi escrito um post nesse blog pelo Fernando comentando que as grandes artistas, cuja obra efetivamente perdurou, geralmente tiveram uma vida sofrida: é o caso de Billie Holiday, Elis, entre tantos outros.

A Ana Cristina é um desses exemplos: da classe média-alta carioca, bonita, inteligente, mestrado em Londres, um dia simplesmente se atirou pela janela do apartamento dos pais e tirou a sua própria vida. O que ela fez e escreveu antes disso? É o que conta a peça, vasculhando sua vida e obra para tentar entender justamente aquela primeira indagação: porque?

FAGULHA

Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.

Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

...

Tempos estranhos esses. Para mim é como se a vida tivesse meio que em suspenso, aguardando alguma coisa que eu nem bem sei o que é. Vai se vivendo, se estuda, se trabalha, mas falta aquele ímpeto, sabe? Simplesmente se vive. E essa coisa de só ir levando tudo sem objetivos imediatos vai me dando um desânimo, uma melancolia... Há tempos que meu corpo e minha mente não estão exatamente conectados, que cada um quer seguir um rumo. A quantidade de coisas que eu tenho que fazer para organizar a minha vida não é pouca, mas eu fico inerte, simplesmente nada acontece. A começar pela simples arrumação do meu quarto, que se faz necessária há mais de mês, que me faz ficar em Porto Alegre fim de semana após fim de semana e que eu simplesmente não consigo pôr em prática. A cama sempre parece mais atraente do que o armário e o sono acaba sendo a única tarefa dos meus dias livres. Eu me conheço e sei que essa arrumação só virá quando começar a surgir a vontade, aquela vontade que tanto está me fazendo falta! Sei também que esse “acontecimento” (a arrumação do quarto) será como um marco da minha nova fase, a Revolução Industrial, a tomada de Constantinopla da minha própria história (forcei, eu sei, mas ando assim meio melodramática). O problema é que enquanto ela não chega, eu fico nesse estado de semi-sonolência, de desvontade (se é que essa palavra existe), de cama e pijamas forever. SOS.

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Quem me conhece sabe que eu gosto de política. Sempre me interessei. Assim que eu pude fiz meu título de eleitor, pesquiso antes de escolher meus candidatos, gosto de estudar o sistema. Sempre acreditei ser a política o melhor canal de melhorar as coisas, ou ao menos, de melhorar muita coisa.

Só que esse ano, tenho que admitir, estou de saco cheio. Mesmo. A velha pergunta, seguida da odiosa afirmação que aqueles que diziam “odiar política” me faziam e me irritava profundamente anda passando repetidamente pelo meu cérebro: um “para que?”, seguido de um “nada vai mudar”. Ai, bateu o desânimo, sabe? Não tem candidato a presidente que realmente me anime e pior: tem muitos que me desanimam profundamente. Deputados, então, simplesmente não tenho vontade de votar! A começar pelo nosso sistema eleitoral, onde eu posso votar em um e ajudar a eleger outro. Um daqueles. Mais um daqueles. Ah, não, assim não dá. O que me traz de volta um pouco a minha velha animação são iniciativas como a Lei da Ficha Limpa, por exemplo, uma luz no fim do túnel da política brasileira, mostrando que iniciativas populares também são um modo - um bom modo - de fazer política.

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E para acabar com a desanimação gritante dos dois primeiros posts, agenda cultural: COMEÇOU O 17º PORTO ALEGRE EM CENA!

Quem é de Porto Alegre não pode deixar esse festival de teatro sensacional, se eu não me engano o maior festival de teatro do Brasil, passar em branco. Peças maravilhosas, oficinas, espetáculos internacionais, tudo a um preço realmente acessível (se ainda encontrarem ingressos).A lista de espetáculos é bem grande, tem para todos os gostos.

Então faz assim: vai no site do Porto Alegre em cena (www.poaemcena.com.br), dá uma olhadinha na programação, no que tem por aqui esse ano, escolhe o que mais te agrada e vai em frente. Não dá para perder!

E já que o assunto é cultura, outra dica: a 7ª seleção de Filmes Bourbon Shopping, rolando em Porto Alegre e São Leopoldo, com 14 títulos inéditos do cinema, adiantando para a gente vários lançamentos do próximo semestre.Quem quiser dar uma conferida na progrmação, dá uma olhada no site: http://img.zaffari.com.br/selecaodefilmes/

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Desabafo

Ando meio sumida dessas bandas, meio sem tempo e sem inspiração para colocar minhas idéias por aqui. Enquanto essa fase não passa, vou aproveitar a inspiração de amigos e conhecidos.

O primeiro a ganhar espaço por aqui é o @nilton_jr, meu tutor cibernético e amigão de muitos outros momentos. Muitos já devem ter visto pelos you tube da vida o "desabafo de um colorado", em resposta ao desabafo do gremista, irônica e sensacionalmente escrito por ele. Como a identificação foi imediata, eu queria muito colocar o texto por aqui. Abaixo vai o original e depois o filme pronto no final:

Hoje é 19 de agosto de 2010. Ainda não dormi.
Sou colorado, e agora sou Bi-Campeão da Libertadores. Fiz festa, mais uma vez, a noite toda.
Aí é que ta o problema. Eu me criei nos anos 90. Não to acostumado com isso. Cara, por mais de 10 anos, eu tive UMA, só UMA, camisa do Inter. Uma adidas número 4, do Gamarra.
Agora?
Agora eu tenho que comprar uma camisa nova a cada 6 meses. É craque que não para de chegar, é estrela que não param de bordar. Meu, eu comprei em janeiro a camisa 10, do D’alessandro... craque do time. Daí, o Inter vai lá e contrata o Sóbis e o Tinga, ídolos. Tive que comprar a deles também. Isso sem falar nas versões comemorativas dos títulos. Ainda bem que o Inter aboliu o uso de estrelas pros títulos. Imagina... eu já ia começar a bordar em casa..
Isso me incomoda. Cansei de ganhar tudo, de não ter rival. Eu espero no elevador, mas meu vizinho não sobe. Nunca. Não tenho mais nem em quem folgar.
Cara, o primeiro jogo que eu fui no Beira-Rio, em julho de 93, éramos 134 torcedores. 134 cara!!!! Agora, 17 anos depois, tenho que entrar no estádio 3h antes pra conseguir um lugar onde dê pra ver o jogo! Assim não dá...
E os guri de Caxias? Dava gosto de ir no jogo, sofria, gritava... agora não? Agora é de 8 pra cima. Eu fui no estádio pra ver gol do CLEMER, GOL DO CLEMER
Daí o Inter foi jogar o Mundial. Ta, fui pro Japão.. Sabia que ia perder, afinal, era o Barcelona, o GRANDE Barcelona. Minha esperança era passar dos mexicanos e chegar na final...
Chega lá, jogo pegado, o filho da puta do Ceará resolve que o Ronaldinho não vai jogar... Porra Ceará!!! E o Clemer? Maior frangueiro da história, FECHOU O GOL.
Mas daí o Índio quebrou o nariz, e o Fernandão saiu com câimbras. Ta, as coisas tomaram o rumo certo. Acabou, vamos perder.
Pra ajudar, quem entrou no lugar do Capitão América foi a lêndia do Gabirú. Sério, voltamos ao passado. Não tem como ganhar do Barcelona com um zagueiro de nariz quebrado e o gabiru no meio. Aham, senta lá!!! O diabo do zagueiro de nariz quebrado lançou, o juvenil Luiz Adriano raspou de cabeça, e o GABIRÚ FEZ O GOL. O GABIRÚ, AMIGO.
TA LÁ, ESCRITO NA HISTÓRIA. INTER CAMPEÃO DO MUNDO FIFA COM GOL DO GABIRÚ.
Mais uma camisa. Assim não dá.
E os títulos??? 2002 - Super Campeão Gaúcho, 2003 - Bicampeão Gaúcho, 2004 - Tricampeão Gaúcho, 2005 - Tetracampeão Gaúcho, 2006 - Campeão da Libertadores da América, 2006 - Campeão da Copa do Mundo de Clubes Fifa , 2007 - Recopa Sul-Americana, 2008 - Dubai Cup, 2008 - Campeão Gaúcho, 2008 - Campeão INVICTO da Copa Sul-Americana, 2009 - Bicampeão gaúcho (Taça Fernando Carvalho e Fábio Koff), 2009 - Campeão da Copa Suruga Bank,
Mas esse ano ia ser diferente. O técnico era um teimoso, burro e mal educado. Um Lori Sandri versão 2010. Com o Fossati não tinha como.
Quartas de final, na Argentina, perdendo pro atual campeão da América... O Estudiantes não ia deixar passar... mas claro, sempre tem um desgraçado. Na hora que eu já tava tirando a camisa, desligando a TV e chamando meus amigos colorados pra jogar um RPG, o Giuliano vai lá, no meio de uma nuvem de fumaça, que deve ter vindo do inferno junto com ele, e faz o gol. Ninguém merece.
Mesmo assim caiu o técnico burro... e veio um pior.
daí tu pensa...
ok.
com Celso Roth eu vou ter um descanso
e ele conquista a América!!! Bi-Campeão da América, MAIOR TIME DA DÉCADA.
Eu tava acostumado com excursões pra erechim, são Borja, Caxias. De buzão. Agora? Agora já fui pro Japão, pro México, e esse ano EU FIZ VISTO PRA ABU DHABI! O cara da polícia Federal não ta entendendo... to viajando mais que o Zeca Camargo!


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Go away...

Viajar. Viajar. Viajar. Cinco semanas away. Novos lugares, descobertas, aprendizado. Muita gente nova, histórias mil. A plenitude que eu alcanço quando eu viajo eu acho que eu não consigo em nenhum outro momento da minha vida. De chegar a ter um momento de parar e pensar: "caralho, tô feliz". Difícil da gente se dar conta na hora em que está vivendo que está feliz. Quando acontece, bom sinal. E é isso. Viajar para mim é felicidade aparente, pungente, independente. Não vivo sem. Voltar também, uma delícia. Faz parte do "pacote viagem", inclusive, a volta e todas as coisas boas que ela traz: matar saudades de família, amigos, comidas, costumes, da casa, dos programas de tv, da vida rotineira, que é cheia de pedacinhos de alegria também. Pois bem, fui, conheci, sorri, aproveitei. Voltei, revi, recomeçarei. E provavelmente o blog volte a ativa junto comigo. Enquanto isso, eu bolo o próximo destino...

(para ler escutando: Paris is burning - vídeo abaixo)

...pensamentos, teorias e devaneios...