Que eu sou completamente apaixonada por ele não é segredo algum. Ele me emociona, me faz pensar, me toca de um jeito que poucos conseguem. Caio Fernando Abreu, companheiro de noites mil de cabeça fervilhante, porto seguro para acalmar a alma quando a ansiedade bate, usina de poesia das mais raras: a do dia a dia, da identificação. Nada como uma mente inquieta para aquietar mentes alheias.
Nesta minha época corrida e de inspiração e tempo zero para contribuir com o Purfa, nada melhor do que ficar com um belo conto do Caio, para mim, dos melhores. Constante no livro Morangos Mofados, com vocês: Transformações (Uma fábula).
Feito febre, baixava às vezes nele aquela sensação de que nada daria jamais certo, que todos os esforços seriam para sempre inúteis, e coisa nenhuma de alguma forma se modificaria. Mais que sensação, densa certeza viscosa impedindo qualquer movimento em direção à luz. E além da certeza, a premonição de um futuro onde não haveria o menor esboço de uma espécie qualquer não sabia se de esperança, fé, alegria, mas certamente qualquer coisa assim.
Eram dias parados, aqueles. Por mais que se movimentasse em gestos cotidianos - acordar, comer, caminhar, dormir, dentro dele algo permanecia imóvel. Como se seu corpo fosse apenas a moldura do desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos, olhos fixos na distância. Ausentou-se, diriam ao vê-lo, se o vissem. E não seria verdade. Nesses dias, estava presente como nunca, tão pleno e perto que estava dentro do que chamaria - tivesse palavras, mas não as tinha ou não queria tê-las - vaga e precisamente de: A Grande Falta.
Era translúcida e gelada. Tivesse olhos, seriam certamente verdes, com remotas pupilas. À beira da praia certa vez encontrara um caco de garrafa tão burilado pelas ondas, areias e ventos que cintilava ao sol, pequena jóia vadia. Apertou-o e
ntre os dedos, sentindo um frio anestésico que o impedia de perceber as gotas de sangue brotando mornas da palma da mão. Era assim A Grande Falta. Pudessem vê-lo, pudesse ver-se, veriam também o sangue, ele e os outros. Acontece que tornava-se invisível nesses dias. Olhando-se ao espelho, sabia de imediato que estava dentro Dela. No vidro, além dele mesmo, localizava apenas um claro reflexo esverdeado.
Ela estava tão dentro dele quanto ele dentro Dela. Intrincados, a ponto de um tornar-se ao mesmo tempo fundo e superfície do outro. Amenizava-se às vezes no decorrer do dia, nuvens que se dissipam, turvo de água clareando até o cair da noite surpreendê-lo nítido, passado a limpo, passado a ferro. Então sorria, dava telefonemas, cantava ou ia ao cinema. Mas em outras vezes adensava-se feito céu cada vez mais escuro, turvo agitado subindo do fundo, vidro bafejado. Sem dormir, fosforescia entre os lençóis ouvindo os ruídos da madrugada chegarem como abafados por uma grossa camada de algodão. Dissipava-se ou concentrava-se na manhã seguinte e, concentrando-se, não era uma manhã seguinte, mas apenas uma fluida e mansa continuação sem solavancos.
Seu maior medo era o destemor que sentia. Íntegro, sem mágoas nem carências ou expectativas. Inteiro, sem memórias nem fantasias. Mesmo o não-medo sequer sentia, pois não-dar-certo era o natural das coisas serem, imodificáveis, irredutíveis a qualquer tipo de esforço. Fosse íntimo das águas ou dos ares, teria quem sabe parâmetros para compreender esse quieto deslizar de peixe, ave. Criatura da terra, seu temor era quem sabe perder o apoio dos pés. E criatura do fogo, A Grande Falta crepitava em chamas dentro dele.
Sua invisibilidade no entanto não o invisibilizava: encadernava-o meticulosa em um determinado corpo e uma voz particular e uns gestos habituais e alguns trejeitos pessoais que, aparentemente, eram ele mesmo. Por isso não é verdade que não o veriam. Veriam e viam, sim, aquela casca reproduzindo com perfeição o externo dele. Tão perfeito que nem ao menos provocava suspeitas aumentando as pausas entre as palavras, demorando o olhar, ralentando o passo daquele falso corpo.
Atrás da casca, porém, o cristal incandescia. Debaixo da terra, fogo-fátuo soterrado tão profundamente que a pele nem reluzia.
Alguma coisa que jamais teria, e tão consciente estava dessa para sempre ausência que, por paradoxal que pareça, era completo nesse estado de carência plena.
Isso acontecia apenas quando dentro Dela, pois ao desembarcar, em vez de sorrir ou fazer coisas, freqüentemente limitava-se a chorar penoso como se apenas a dor fosse capaz de devolvê-lo ao estágio anterior. A dor desconsolada e inconsolável, em soluços que o sacudiam cada vez mais fortemente, a cada um deles partindo-se a casca, quebrando-se a moldura, rachando-se o vidro, apagando-se o fogo.
Como uma outra espécie de felicidade, esse desembaraçar-se de uma também felicidade. Emerso, chafurdava em emoções: tinha desejos violentos, pequenas gulas, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos, tesões insaciáveis. Ouvia canções lamurientas, bebia para despertar fantasmas distraídos, relia ou escrevia cartas apaixonadas, transbordantes de rosas e abismos. Exausto, então, afogava-se num sono por vezes sem sonhos, por vezes - quando o ensaio geral das emoções artificialmente provocadas (mas que um dia, em outro plano, aquele da terra onde, supunha, gostava de pisar, aconteceriam realmente) não era suficiente - povoado com répteis frios, a tentar enlaçá-lo com tentáculos pegajosos e verdes olhos de pupilas verticais.
Não saberia dizer com certeza como nem quando aconteceu. Mas um dia - um certo dia, um dia qualquer, um dia banal - deu-se conta que. Não, realmente não saberia dizer ao menos do que dera-se conta. Mas foi assim: olhando-se ao espelho, pela manhã, percebeu o claro reflexo esverdeado. Está de volta, pensou. E no mesmo instante, tão imediatamente seguinte que confundiu-se com o anterior, cantava, novamente ele mesmo. No segundo verso, pequena contração, tinha novamente entre os dedos o caco de vidro luminoso. Mas antes que a mão sangrasse, havia preparado um drinque, embora fosse de manhã, e bebia lento, todo intenso. Antes de engolir o líquido, seu corpo ganhou vértices súbitos, emoldurando o desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos abertas, olhos fixos na distância.
Foi um dia movimentado, aquele. Sua casca partia-se e refazia-se, entardecer sombrio e meio-dia cegante intercalados. Fumou demais, sem terminar nenhum cigarro. Bebeu muitos cafés, deixando restos no fundo das xícaras. Exaltou-se, ausentou-se. No intervalo da ausência, distraía-se em chamá-la também, entre susto e fascínio, de A Grande Indiferença, ou A Grande Ausência, ou A Grande Partida, ou A Grande, ou A, ou. Na tentativa ou esperança, quem saberia, de conseguindo nomeá-la conseguir também controlá-la.
Não conseguiu. Desimportou-se com aquilo. Tomado a intervalos pelo anônimo, atravessou a tarde, varou a noite, entrou madrugada adentro para encontrar a manhã seguinte, e outra tarde, e outra noite ainda, e nova madrugada, e assim por diante. Durante anos. Até as têmporas ficarem grisalhas, até afundarem os sulcos em torno dos lábios. Houvesse uma pausa, teria pedido ajuda, embora não soubesse ao certo a quem nem como. Não houve. Mas porque as coisas são mesmo assim, talvez por certa magia, predestinações, sinais ou simplesmente acaso, quem saberá, ou ainda por ser natural que assim fosse, e menos que natural, inevitável, fatalidade, trágicos encantos - enfim, houve um dia, marco, em que o tocaram de leve no ombro.
Ele olhou para o lado. Ao lado havia Outra Pessoa. A Outra Pessoa olhava-o com cuidadosos olhos castanhos. Os cuidadosos olhos castanhos eram mornos, levemente preocupados, um pouco expectantes. As transformações tinham se tornado tão aceleradas que, no primeiro momento, não soube dizer se a Outra Pessoa via a ele ou a Ela, se se dirigia à moldura, à casca, ao cristal ou ao desenho, ao corpo original, às gotas de sangue. Isso num primeiro momento. Num segundo, teve certeza absoluta que se tinha desinvisibilizado. A Outra Pessoa olhava para uma coisa que não era uma coisa, era ele mesmo. Ele mesmo olhava para uma coisa que não era uma coisa, era Outra Pessoa. O coração dele batia e batia, cheio de sangue. Pousada sobre seu ombro, a mão da Outra Pessoa tinha veias cheias de sangue, latejando suaves.
Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.
sábado, 14 de maio de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Ode às Marias

E veio o BBB11 e foi chato. Sempre me assumi viciada naquela suposta babaquice fútil, mas esse tava ruim de acompanhar, criar expectativas e ficar na torcida de alguém. E quando eu achei que finalmente ia chegar um Big Brother que não servisse de jeito nenhum para acrescentar mais um pouco de filosofia barata para as minhas teorias, veio a final. E nela falou o “poeta” Bial:
“Até que chega uma mulher que esfrega na cara das mulheres tudo que elas detestam ser, ter sido ou vir a ser de novo por alguma circunstância”.
Opa! Bateu.
Mulherada reunida na minha casa e, mesmo sem nenhuma ter acompanhado muito, a torcida era unânime: Maria! O gay da vez era divertidíssimo, o doutor era muso e educado, mas a Maria era... era a gente. Falava merda, se perdia, se embebedava, corria atrás de um cara que cagava e andava para ela. E ela nem aí, ou muitas vezes MUITO aí, jurava que não ia fazer mais nada, mas daqui a pouco lá ia ela e fazia. Umas mais, outras menos, mas convenhamos: todas já foram um pouco Maria um dia.
A questão toda era se o público ia concordar com aquele choque de realidade feminina esfregado na cara. Hipocrisia, já ouviram falar? Fácil julgar, difícil às vezes é se controlar. Ressaca moral, oi? Discussão recorrente entre a mulherada é esse machismo que segue vigente – e que pelo jeito persistirá por muito tempo - dos pré julgamentos em relação as mulheres. A “puta”, a “vagaba”, a “humilhada”. O homem não, sempre vai ser o “pegador”, o “safado” (por incrível que pareça, no bom sentido) e, em últimíssimo caso, o “coitadinho”. E isso não parte só deles não, quantas vezes a gente não se pega destilando exatamente esse veneno em relação a outras mulheres, muitas que a gente mal conhece?
Por isso que, do alto das minhas teorias sociológicas, me parecia que o público não ia aliviar muito para o lado da Maria. Ficou com um, caiu em cima do outro da forma mais vazada possível, resolveu que queria mesmo era o primeiro, deu uma mentidinha básica e rastejou atrás dele até não poder mais. Rolava um papo de um tal vídeo dela na internet um tanto promíscuo, ou que ela já tinha encarnado a Bruna Surfistinha uma vez ou outra e a partir daí as fofocas eram só ladeira abaixo. Até onde isso era verdade eu não investiguei, mas o que me parecia era que, aos olhos do público, o pensamento seria que onde há fumaça, há fogo, e onde há fogo, meus amigos - quanto mais aquele fogo descarado que ela destilava pela casa! - coisa boa não podia dar.
Não que eu não achasse que ela tinha a simpatia do público, pelo contrário: as Marias sempre tem. Geralmente elas são as mais divertidas, as que tem mais história para contar, as melhores companhias. O problema é que na hora do pega-pra-capar, lá vão os reis da hipocrisia escolher as “Adrianas”. Aquelas mesmo, da citação do Bial que morrem de medo de assumir já terem sido Marias uma vez ou outra. Bonitinhas, pseudo-santinhas, mas... chatas. Saqualé? Do tipo que toma álcool duas vezes por ano, uma taça de champagne no natal e outra no réveillon, e para quem os piores inimigos na vida são o carboidrato e a gordura trans. Blagh!
Nunca me esqueci um “conselho” que eu ouvi certa feita: “na hora de escolher com quem se vai casar, escolha alguém com quem goste de conversar. Porque paixão é bom, dinheiro é bom, status e beleza melhor ainda. Mas no fim, lá no final mesmo, a conversa vai ser tudo o que o casal vai ter”. O alto índice de divórcios que se vê por aí deve em muito ser resultado da falta de atenção a este preceito. Porque os homens acabam grudando o estigma de “just for fun” nas Marias da vida e não percebem que, no fim, o “fun” é que devia ser o objetivo. Com cada vez mais gente mala no mundo, achar alguém com quem se consiga realmente rir é um presente.
Pois não é que dessa vez a hipocrisia usual deu lugar para a identificação (que seja para a compaixão!) e a maioria votou para ela ganhar o programa? Bela surpresa. Bom saber que tem gente no mundo querendo ver as Marias se darem bem, simpatizando e jogando a ignorância de lado para reconhecer que no fim de tudo, como disse o Bial, “JOGAR BEM É SE JOGAR”. Ô!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
The sartorialist
Muito melhor do que qualquer editorial da Vogue, quando se trata de observar modelitos, tendências e combinações, são os sites de street style.
Ver o que as pessoas conseguem trazer dos editoriais para as ruas e das passarelas para a realidade acaba sendo muito mais prazeroso do que ficar interpretando a idéia de um estilista. Talvez porque ultrapassa a condição de simples conceito e se torna algo palpável. Posso ficar horas e horas na frente do computador olhando o monte de sites deste tipo que atolam a minha lista de favoritos e saio coma cabeça borbulhando de idéias.
De todos eles, entretanto, um é top. Não sou eu quem diz, é unanimidade mesmo. Scott Schumann, do site The sartorialist (http://thesartorialist.blogspot.com/) é o cara. Considerado o precursor deste tipo de enfoque, deixando de lado as celebs e os tapetes vermelhos e captando pessoas comuns (mas EXTREMAMENTE estilosas), ele inverteu a roda fashion e acabou se tornando referência para estilistas, revistas especializadas e amantes de moda em geral. Como? Fica mais fácil entender ao ver o vídeo "Intel Visual Life", uma produção da Intel que mostra um pouco da rotina do cara.
O que o filme me passa é que ele não vê moda como algo estático, não tenta observar se a pessoa está usando a última tendência, por exemplo: ele reaje instintivamente às imagens. Isso sim, para mim, é pensar moda: uma simples reação a algo que te provoca. Daí a dificuldade que as pessoas tem de ter estilo e até mesmo "perceber" estilo. Isso dificilmente se conquista, requer uma certa sensibilidade inata. O que se vê é que o "sartorialist", sem intentar, utilizando apenas da sua percepção e talento natos seleciona só o que o toca e com isso acaba fotografando tendências ou transformando as suas fotos em. Inncrível, não? Eu acho.
O início do filme, para mim, resume a filosofia de Schumann:
"You never know what it is, what that thing is that drags you to that person, but you just let it happen. It seems obvious, you know, its almost like going out there and let yourself fall in love a little bit everyday, let yourself be seduced a little bit everyday".
Então tá aí, enjoy:
Ver o que as pessoas conseguem trazer dos editoriais para as ruas e das passarelas para a realidade acaba sendo muito mais prazeroso do que ficar interpretando a idéia de um estilista. Talvez porque ultrapassa a condição de simples conceito e se torna algo palpável. Posso ficar horas e horas na frente do computador olhando o monte de sites deste tipo que atolam a minha lista de favoritos e saio coma cabeça borbulhando de idéias.
De todos eles, entretanto, um é top. Não sou eu quem diz, é unanimidade mesmo. Scott Schumann, do site The sartorialist (http://thesartorialist.blogspot.com/) é o cara. Considerado o precursor deste tipo de enfoque, deixando de lado as celebs e os tapetes vermelhos e captando pessoas comuns (mas EXTREMAMENTE estilosas), ele inverteu a roda fashion e acabou se tornando referência para estilistas, revistas especializadas e amantes de moda em geral. Como? Fica mais fácil entender ao ver o vídeo "Intel Visual Life", uma produção da Intel que mostra um pouco da rotina do cara.
O que o filme me passa é que ele não vê moda como algo estático, não tenta observar se a pessoa está usando a última tendência, por exemplo: ele reaje instintivamente às imagens. Isso sim, para mim, é pensar moda: uma simples reação a algo que te provoca. Daí a dificuldade que as pessoas tem de ter estilo e até mesmo "perceber" estilo. Isso dificilmente se conquista, requer uma certa sensibilidade inata. O que se vê é que o "sartorialist", sem intentar, utilizando apenas da sua percepção e talento natos seleciona só o que o toca e com isso acaba fotografando tendências ou transformando as suas fotos em. Inncrível, não? Eu acho.
O início do filme, para mim, resume a filosofia de Schumann:
"You never know what it is, what that thing is that drags you to that person, but you just let it happen. It seems obvious, you know, its almost like going out there and let yourself fall in love a little bit everyday, let yourself be seduced a little bit everyday".
Então tá aí, enjoy:
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Férias
Pobre do Purfa, tão abandonado em 2011.
É que o ano começou corrido. E quente. Tão quente que nem dá vontade de ligar o computador ao chegar em casa. Aliás, nem dá vontade de ir para casa. Também não estou com o mínimo saco de comentar as notícias dos jornais, os desabamentos no Rio, a revolta no Egito, a posse dos deputados. Nããã. Tô fora. Analisar comportamento, então, deus me livre. Ainda mais se for o meu. Decidi parar de me analisar por um tempo. Meus neurônios passaram a entrar em recesso às seis da tarde e só retornam quando eu adentro a porta do trabalho no outro dia de manhã. A idéia é passar o resto do verão ligando o meu computador unicamente para ouvir as músicas que eu adoro, ler coisas fúteis, ficar com o ventilador na cara, olhar estrelas, correr pela cidade e depois mergulhar na piscina. Além do trabalho, está decidido que serão essas as únicas coisas com as quais eu irei me comprometer nesses dias. Então fica a dica: distorcendo um pouco aquele comercial de chinelos, dê férias para o seu cérebro. Eu dei, e junto dou mais um mês de férias para o Purfa.
É que o ano começou corrido. E quente. Tão quente que nem dá vontade de ligar o computador ao chegar em casa. Aliás, nem dá vontade de ir para casa. Também não estou com o mínimo saco de comentar as notícias dos jornais, os desabamentos no Rio, a revolta no Egito, a posse dos deputados. Nããã. Tô fora. Analisar comportamento, então, deus me livre. Ainda mais se for o meu. Decidi parar de me analisar por um tempo. Meus neurônios passaram a entrar em recesso às seis da tarde e só retornam quando eu adentro a porta do trabalho no outro dia de manhã. A idéia é passar o resto do verão ligando o meu computador unicamente para ouvir as músicas que eu adoro, ler coisas fúteis, ficar com o ventilador na cara, olhar estrelas, correr pela cidade e depois mergulhar na piscina. Além do trabalho, está decidido que serão essas as únicas coisas com as quais eu irei me comprometer nesses dias. Então fica a dica: distorcendo um pouco aquele comercial de chinelos, dê férias para o seu cérebro. Eu dei, e junto dou mais um mês de férias para o Purfa.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Coisas de ano novo

Que delícia que é virada de ano! Já escrevi por aqui o quanto eu sou apegada a esses festejos dezembrinos e o reveillón é, na minha opinião, a melhor das comemorações. Não tem data que o meu astral fique igual, nem mesmo no meu aniversário.
Adoro programar, rever, pensar, planejar. Adoro a sensação de "posso tudo" que um ano que está começando traz consigo. Dá vontade de começar o que planejamos e nunca fazemos, repensar o que não deu certo e abandonar o que está dando errado. Na minha cabecinha doente de tão otimista, então, parece sempre que tudo vai dar certo no ano que está chegando. Bendito otimismo!
Então, para comemorar o ano novo que chega e o meu astral lá em cima, um pouquinho de Drumond. E depois um pouquinho de Marcelo Camelo, porque poesia na nossa vida nunca é demais!
Feliz 2011!!!
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a
que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no
limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro
número e outra vontade de acreditar que daqui pra
diante vai ser diferente"
(Carlos Drummond de Andrade)
Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver (Marcelo Camelo)
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A rede social

"Um filme sobre o facebook? Só pode ser babaquice".
Aham, senta lá! Com um roteiro primoroso, uma história das mais interessantes e atuações admiráveis, A Rede Social é, para mim, um dos melhores filmes do ano. Vale a pena ver a história por trás da rede social que já faz parte da vida de 500 milhões de pessoas mundo afora. Mais do que isso, a história do(s) seu(s) criador(es), projetada, por incrível que pareça - e aí está a genialidade - sem estereotipar demasiadamente qualquer um dos envolvidos, deixando para o público decidir se Zuckemberg é um asshole ou não, se os seus ex-parceiros tem razão, se o Sean é um falido em fim de carreira ou não. Retrato do nosso mundo hoje, é um filme que tem muito a acrescentar e que eu recomendozíssimo para uma noite agradável desse verão que vem chegando.
Para ficar com mais vontade, dá um conferes em uma crítica de verdade sobre o filme, do Lucas Salgado (http://www.adorocinema.com/filmes/a-rede-social/criticas/):
A Rede Social por Lucas Salgado
MUITO ALÉM DO FACEBOOK
Quando o projeto de A Rede Social foi anunciado pela primeira vez todos resumiram o filme como "a história por trás do Facebook" e é provável que tal alcunha continue com grande espaço na mídia e no boca a boca dos que assistirem ao longa.
Mas a produção é muito mais do que isso, vai muito além dos bastidores do surgimento da rede social mais famosa do mundo.
O filme também não é sobre a total falta de traquejo social do protagonista, por mais que isso seja essencial para compreendermos o mesmo. E também não busca debater se o criador do Facebook seria um babaca ou não, ainda que a questão esteja presente no início e no final da produção.
A Rede Social é, na verdade, um filme sobre a complexidade do ser humano, sobre como este pode ser ao mesmo tempo inocente, calculista, indiferente e apaixonado. Sobre como a vida de uma pessoa pode cair em um caminho errado por mais que profissionalmente apareça como um Rei Midas, em que tudo o que toca se transforma em ouro.
Se recuperando daquele que ao lado de O Quarto do Pânico talvez seja seu filme menos interessante, O Curioso Caso de Benjamin Button (ignoro por completo a existência de Alien 3 na vida do cineasta), David Fincher volta a realizar um trabalho primoroso.
O nível alcançado volta a ser aquele de Seven - Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, e isso ocorre até pelos mesmos motivos. Apesar de aparentarem serem filmes absolutamente diferentes, os quatro tem em comum o estudo do ser humano. E quase como um antropólogo, o diretor comprova a capacidade de analisar o homem, seja ele um assassino em série, um repórter policial ou um nerd.
A comparação com o campo da antropologia obviamente não deve ser esmiuçada, mas não deixa de ser interessante ver que o cineasta, assim como profissionais da referida área, não se preocupa em julgar o assunto estudado. Assim, veremos que o personagem principal não é nem demonizado nem endeusado.
A história de Mark Zuckerberg, gênio por trás da criação do Facebook, é repleta de características fáceis de serem estereotipadas. O diretor, entretanto, consegue evitar que isso aconteça, relatando os momentos de genialidade, loucura e babaquice do indivíduo de forma natural e convincente. Para isso contou com a ajuda do ótimo Jesse Eisenberg. O ator, que já havia se destacado na comédia Zumbilândia, brilha ao dar vida ao jovem bilionário.
Contando com uma das melhores taglines vistas nos cinemas nos últimos anos ("Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos"), o longa é extremamente verossímil e tão natural que em alguns momentos nos faz esquecer que se trata de uma obra de ficção, que inclusive não contou com nenhum apoio por parte dos agentes reais da história.
Fincher comprovou mais uma vez sua capacidade na seleção de um elenco. Além do supramencionado Eisenberg, Andrew Garfield e Justin Timberlake também foram escolhas acertadas. Novo intérprete do Homem-Aranha, Garfield dá show no papel do brasileiro Eduardo Saverin, (ex) melhor amigo de Zuckerberg e co-fundado do Facebook, enquanto que o ícone pop prova mais uma vez que sua empreitada pela sétima arte é muito mais que uma brincadeira. Timberlake está ótimo como o outro gênio precoce da turma, Sean Parker, fundador do Napster que começa a dar pitacos no dia a dia da rede social.
Merecem destaque ainda a trilha sonora da dupla Trent Reznor e Atticus Ross, e a fotografia de Jeff Cronenweth, que já havia trabalhado com o diretor em Clube da Luta.
Adaptação do livro "Os Bilionários Acidentais", de Ben Mezrich, o filme tem como virtude o fato de não tomar tudo o que está no mesmo como verdade, a começar pela ideia de que tudo não passou de um acidente, de uma obra do acaso. Como o longa mostra muito bem, a criação do Facebook não foi algo simples ou mal pensado.
The Social Network (no original) é um dos melhores filmes de 2010 e merece ser conferido com atenção por retratar como um sujeito nada social foi capaz de criar a maior comunidade social da internet. O segredo parece tratar tudo (e todos) como fatores ou como peões em um tabuleiro, mas é muito menos simples do que isso, sendo provável que cada um saia com sua conclusão da sala de cinema.
David Fincher parte agora para sua versão de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Quem estiver na expectativa pelo filme preste atenção na jovem Rooney Mara. A atriz interpreta a namorada de Zuckerberg no início da produção e dará vida à Lisbeth Salander, personagem principal do mencionado filme.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
BE STUPID
Engraçado que o título do meu post anterior foi "Só os patéticos são felizes" e o deste bem podia ser "Só os estúpidos são felizes". Será que isso quer dizer alguma coisa? Afff!
Enfim, a verdade é que o verão chegou e não tem estação que traga consigo tantas histórias para contar! E é exatamente essa a vibe da campanha passada da Diesel, na minha opinião uma das mais geniais dos últimos tempos. Quase uma filosofia de vida. Muitas vezes quase a minha filosofia de vida. Dêem uma olhada e me digam se não dá vontade de sair fazendo um monte merda só para morrer rindo depois?





Enfim, a verdade é que o verão chegou e não tem estação que traga consigo tantas histórias para contar! E é exatamente essa a vibe da campanha passada da Diesel, na minha opinião uma das mais geniais dos últimos tempos. Quase uma filosofia de vida. Muitas vezes quase a minha filosofia de vida. Dêem uma olhada e me digam se não dá vontade de sair fazendo um monte merda só para morrer rindo depois?





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