quarta-feira, 29 de junho de 2011

Diquinhas invernais

Friaca braba, hein? Deve ser por ela que eu ingressei numa forte fase caseira, de filmes, livros, revistas, filmes, livros, revistas. Como eu sei que não é só sobre mim que o invernão tem esse efeito, deixo a dica das últimas coisas que andei vendo / lendo / descobrindo.

NO CINEMA: Meia noite em Paris



Mais uma delícia de filme do Woody Allen. Com o humor irônico recorrente em toda (ou grande maioria) da cinegrafia woodyana, mas seguindo a tônica dessa sua fase européia: a história transpira o cenário. O filme em Londres foi sombrio, em Barcelona quente e em Paris... ah, em Paris veio impregnado de nostalgia e de um saudosismo lírico cujo cenário não podia ser outro. De brinde, um recheio de referências históricas/culturais maravilhosas e uma panorâmica inicial de Paris à la "Manhattan". Vontade de sair do cinema direto para a cidade luz. A de hoje ou a de alguns (ou muitos) anos atrás.

NA LOCADORA: O primeiro que disse



Filme franco-italiano di-ver-ti-dís-si-mo. Para fugir um pouco das bobalhadas das comédias americanas repetitivas e previsíveis e se deliciar com algumas agruras de uma típica (ou não tanto) família italiana!

NO CRIADO-MUDO: Um dia



Terminei de ler em dois. Livro fofíssimo, que conta a história de um casal, desde seu primeiro "encontro", no dia 15 de julho de 1988, em todos (e apenas) os dias 15 de julho dos 20 anos seguintes. Além da história entre os dois ser deliciosa, ainda retrata de forma absolutamente delicada a forma como vamos mudando(ou não) com o passar do tempo. Vai virar filme com a Anne Hathaway (que me parece perfeita para o papel!) e o carinha que fez "Across the Universe". Vale a pena ler antes de ver.


NO NOTEBOOK: Todo dia um look

Para aqueles (aquelas, devo dizer) que, como eu, sempre que podem bisbilhotam blogs de moda, street style e looks diários das it girls around the world. Quem acompanha essa montanha de sites fashionistas que tomaram conta da rede sabe que às vezes chegamos a ficar tontas tamanha a quantidade de conteúdo disponível, o que faz com que muitas vezes acabe repetitivo. Pois bem. Para dar uma espairecida e algumas risadas sem escapar completamente desse universo, dá uma olhadita no "todo dia um look". Três guris para lá de bem-humorados fizeram um site-paródia desse universo paralelo da web simplesmente sen-sa-cio-nal. Utilizando aquele vocabulário único, peculiar e próprio dos sites trend (talvez podemos chamá-lo de "Voguiano" ou algo do tipo), eles seguem no mesmo ritmo, mesclando expressões em inglês, com palavrinhas-chave como o multifuncional "it" (it-bag, it-girl, it-shoe) e outras, como must have, look, outfit e por aí vai com descrições hilárias das roupitchas usadas em cada ocasião. Como exeplo, no post "Look rastafari de apartamento", vem a seguinte descrição do visú:

"Camiseta color blocking da reguêra com o sempre t-shirtable Godfather do Reggae (constantemente visto em estampas de mash-ups com leões), baggy pants, sunglasses pra esconder os red-eyes (conjuntivite tá super usando) no almoço da Vó Mirtes e essa touca que vai fazer com que você arrependa de cada segundo desperdiçado com bobagens na sua adolescência são o outfit perfeito pra dançar o Catch a Fire inteiro, bolar um bem prensado no parquinho da vizinhança e levar um atraque delicioso da PM (ou da Vó Mirtes, whatever)".

Para dar uma desopilada do circuito fashion, adentrar o mundo humorístico e permanecer no inteligente.

NA CIDADE: Restaurant Week

Só vai até o dia 10 de julho, então tem que correr: evento gastronômico mundial que também veio para Porto Alegre. Almoço a R$ 29,90 e jantar a R$ 39,90, com entrada, prato principal e sobremesa inclusos, em restaurantes que, regra geral, fariam sofrer um pouco mais o nosso bolso. O único porém é que os pratos são pré-estabelecidos, então tem que dar um conferes no site do evento para ver qual te agrada. O Jasmin, por exemplo, oferece como prato principal, no jantar, filé com crocante de pinhão, acompanhado de creme de batata aromatizado com pimentas verdes e arroz de jasmim e aniz ou (pode optar) salmão em crosta de gergelim negro, servido com risoto de açafrão e crispy de alho-poró. De sobremesa, sorvete de rosas, servido com damasco flamabado e aniz estrelado. Tem ainda coisas deliciosas no Koh Pee Pee, Press, Calamares, Barba Negra, Sharim, Sashiburi, Sushi do Cléber, Atelier das Massas e por aí vai.

Mais uma semana, hein? Corre lá.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um post gordo


Café passado de manhã. Ou depois do almoço. Uma balinha butter toffe depois do almoço. Uma tragada em um cigarro depois de um gole de cerveja. Um Red Bull Light antes de ir para a noite. Uma Coca Zero de garrafa estupidamente gelada em uma manhã de ressaca. Chimarrão e bergamota olhando o pôr do sol. Uma cervejinha gelada em um fim de tarde de verão. Ou em uma noite de verão. Ou em uma noite de qualquer estação. Churrasco domingo. Galeto sábado. Fondue em Gramado. Chá de boldo após tudo isso. Sopa de capeleti e vinho no auge do inverno. Queijos e frios também. Água, sempre. Churrasquinho de gato depois de um jogo do Inter. Inter. Pipoca no cinema. Bibs passas no cinema. Cinema. Pizza e filmes em casa. Salada de frutas na Banca 40. Chopp Brahma. Cheetos requeijão em viagens. Biscoito de polvilho em viagens. Viagens! Um farroupilha e um café com leite quando falta café da manhã em casa. Batida de banana após corrida. Arroz e feijão no almoço da vó. Papaterra frita em São Simão. Massa a carbonara do meu pai. Omelete da minha mãe. Bolinho de arroz do Dedé. Qualquer invenção da Mari. Água com gás para matar a sede. Champagne para comemorar. Cachorro da república no fim da noite. Nella Pietra com a família. Quentão e pinhão em junho. Lentilha em dezembro. Crepe na praia. Queijo coalho na praia. Caipirinha na praia. Casquinha de siri após praia. Praia. Praia. Praia. Água de coco e Biscoito Globo no Rio. Koni no Rio. Rio. Rio. Rio. Pimenta. Picanha. Camarão. Twix. Pães. Uvas.
Pois é, se o hedonismo e a gula me impedirem de ir para o céu, nem quero ir mesmo: deve ser bem chato por lá.

domingo, 29 de maio de 2011

Esses quereres...


Nada como Caetanear num domingo cheio de pensamentos...

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim



sábado, 14 de maio de 2011

Um pouco de Caio F.

Que eu sou completamente apaixonada por ele não é segredo algum. Ele me emociona, me faz pensar, me toca de um jeito que poucos conseguem. Caio Fernando Abreu, companheiro de noites mil de cabeça fervilhante, porto seguro para acalmar a alma quando a ansiedade bate, usina de poesia das mais raras: a do dia a dia, da identificação. Nada como uma mente inquieta para aquietar mentes alheias.

Nesta minha época corrida e de inspiração e tempo zero para contribuir com o Purfa, nada melhor do que ficar com um belo conto do Caio, para mim, dos melhores. Constante no livro Morangos Mofados, com vocês: Transformações (Uma fábula).

Feito febre, baixava às vezes nele aquela sensação de que nada daria jamais certo, que todos os esforços seriam para sempre inúteis, e coisa nenhuma de alguma forma se modificaria. Mais que sensação, densa certeza viscosa impedindo qualquer movimento em direção à luz. E além da certeza, a premonição de um futuro onde não haveria o menor esboço de uma espécie qualquer não sabia se de esperança, fé, alegria, mas certamente qualquer coisa assim.
Eram dias parados, aqueles. Por mais que se movimentasse em gestos cotidianos - acordar, comer, caminhar, dormir, dentro dele algo permanecia imóvel. Como se seu corpo fosse apenas a moldura do desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos, olhos fixos na distância. Ausentou-se, diriam ao vê-lo, se o vissem. E não seria verdade. Nesses dias, estava presente como nunca, tão pleno e perto que estava dentro do que chamaria - tivesse palavras, mas não as tinha ou não queria tê-las - vaga e precisamente de: A Grande Falta.
Era translúcida e gelada. Tivesse olhos, seriam certamente verdes, com remotas pupilas. À beira da praia certa vez encontrara um caco de garrafa tão burilado pelas ondas, areias e ventos que cintilava ao sol, pequena jóia vadia. Apertou-o e
ntre os dedos, sentindo um frio anestésico que o impedia de perceber as gotas de sangue brotando mornas da palma da mão. Era assim A Grande Falta. Pudessem vê-lo, pudesse ver-se, veriam também o sangue, ele e os outros. Acontece que tornava-se invisível nesses dias. Olhando-se ao espelho, sabia de imediato que estava dentro Dela. No vidro, além dele mesmo, localizava apenas um claro reflexo esverdeado.
Ela estava tão dentro dele quanto ele dentro Dela. Intrincados, a ponto de um tornar-se ao mesmo tempo fundo e superfície do outro. Amenizava-se às vezes no decorrer do dia, nuvens que se dissipam, turvo de água clareando até o cair da noite surpreendê-lo nítido, passado a limpo, passado a ferro. Então sorria, dava telefonemas, cantava ou ia ao cinema. Mas em outras vezes adensava-se feito céu cada vez mais escuro, turvo agitado subindo do fundo, vidro bafejado. Sem dormir, fosforescia entre os lençóis ouvindo os ruídos da madrugada chegarem como abafados por uma grossa camada de algodão. Dissipava-se ou concentrava-se na manhã seguinte e, concentrando-se, não era uma manhã seguinte, mas apenas uma fluida e mansa continuação sem solavancos.
Seu maior medo era o destemor que sentia. Íntegro, sem mágoas nem carências ou expectativas. Inteiro, sem memórias nem fantasias. Mesmo o não-medo sequer sentia, pois não-dar-certo era o natural das coisas serem, imodificáveis, irredutíveis a qualquer tipo de esforço. Fosse íntimo das águas ou dos ares, teria quem sabe parâmetros para compreender esse quieto deslizar de peixe, ave. Criatura da terra, seu temor era quem sabe perder o apoio dos pés. E criatura do fogo, A Grande Falta crepitava em chamas dentro dele.
Sua invisibilidade no entanto não o invisibilizava: encadernava-o meticulosa em um determinado corpo e uma voz particular e uns gestos habituais e alguns trejeitos pessoais que, aparentemente, eram ele mesmo. Por isso não é verdade que não o veriam. Veriam e viam, sim, aquela casca reproduzindo com perfeição o externo dele. Tão perfeito que nem ao menos provocava suspeitas aumentando as pausas entre as palavras, demorando o olhar, ralentando o passo daquele falso corpo.
Atrás da casca, porém, o cristal incandescia. Debaixo da terra, fogo-fátuo soterrado tão profundamente que a pele nem reluzia.
Alguma coisa que jamais teria, e tão consciente estava dessa para sempre ausência que, por paradoxal que pareça, era completo nesse estado de carência plena.
Isso acontecia apenas quando dentro Dela, pois ao desembarcar, em vez de sorrir ou fazer coisas, freqüentemente limitava-se a chorar penoso como se apenas a dor fosse capaz de devolvê-lo ao estágio anterior. A dor desconsolada e inconsolável, em soluços que o sacudiam cada vez mais fortemente, a cada um deles partindo-se a casca, quebrando-se a moldura, rachando-se o vidro, apagando-se o fogo.
Como uma outra espécie de felicidade, esse desembaraçar-se de uma também felicidade. Emerso, chafurdava em emoções: tinha desejos violentos, pequenas gulas, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos, tesões insaciáveis. Ouvia canções lamurientas, bebia para despertar fantasmas distraídos, relia ou escrevia cartas apaixonadas, transbordantes de rosas e abismos. Exausto, então, afogava-se num sono por vezes sem sonhos, por vezes - quando o ensaio geral das emoções artificialmente provocadas (mas que um dia, em outro plano, aquele da terra onde, supunha, gostava de pisar, aconteceriam realmente) não era suficiente - povoado com répteis frios, a tentar enlaçá-lo com tentáculos pegajosos e verdes olhos de pupilas verticais.
Não saberia dizer com certeza como nem quando aconteceu. Mas um dia - um certo dia, um dia qualquer, um dia banal - deu-se conta que. Não, realmente não saberia dizer ao menos do que dera-se conta. Mas foi assim: olhando-se ao espelho, pela manhã, percebeu o claro reflexo esverdeado. Está de volta, pensou. E no mesmo instante, tão imediatamente seguinte que confundiu-se com o anterior, cantava, novamente ele mesmo. No segundo verso, pequena contração, tinha novamente entre os dedos o caco de vidro luminoso. Mas antes que a mão sangrasse, havia preparado um drinque, embora fosse de manhã, e bebia lento, todo intenso. Antes de engolir o líquido, seu corpo ganhou vértices súbitos, emoldurando o desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos abertas, olhos fixos na distância.
Foi um dia movimentado, aquele. Sua casca partia-se e refazia-se, entardecer sombrio e meio-dia cegante intercalados. Fumou demais, sem terminar nenhum cigarro. Bebeu muitos cafés, deixando restos no fundo das xícaras. Exaltou-se, ausentou-se. No intervalo da ausência, distraía-se em chamá-la também, entre susto e fascínio, de A Grande Indiferença, ou A Grande Ausência, ou A Grande Partida, ou A Grande, ou A, ou. Na tentativa ou esperança, quem saberia, de conseguindo nomeá-la conseguir também controlá-la.
Não conseguiu. Desimportou-se com aquilo. Tomado a intervalos pelo anônimo, atravessou a tarde, varou a noite, entrou madrugada adentro para encontrar a manhã seguinte, e outra tarde, e outra noite ainda, e nova madrugada, e assim por diante. Durante anos. Até as têmporas ficarem grisalhas, até afundarem os sulcos em torno dos lábios. Houvesse uma pausa, teria pedido ajuda, embora não soubesse ao certo a quem nem como. Não houve. Mas porque as coisas são mesmo assim, talvez por certa magia, predestinações, sinais ou simplesmente acaso, quem saberá, ou ainda por ser natural que assim fosse, e menos que natural, inevitável, fatalidade, trágicos encantos - enfim, houve um dia, marco, em que o tocaram de leve no ombro.
Ele olhou para o lado. Ao lado havia Outra Pessoa. A Outra Pessoa olhava-o com cuidadosos olhos castanhos. Os cuidadosos olhos castanhos eram mornos, levemente preocupados, um pouco expectantes. As transformações tinham se tornado tão aceleradas que, no primeiro momento, não soube dizer se a Outra Pessoa via a ele ou a Ela, se se dirigia à moldura, à casca, ao cristal ou ao desenho, ao corpo original, às gotas de sangue. Isso num primeiro momento. Num segundo, teve certeza absoluta que se tinha desinvisibilizado. A Outra Pessoa olhava para uma coisa que não era uma coisa, era ele mesmo. Ele mesmo olhava para uma coisa que não era uma coisa, era Outra Pessoa. O coração dele batia e batia, cheio de sangue. Pousada sobre seu ombro, a mão da Outra Pessoa tinha veias cheias de sangue, latejando suaves.
Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ode às Marias


E veio o BBB11 e foi chato. Sempre me assumi viciada naquela suposta babaquice fútil, mas esse tava ruim de acompanhar, criar expectativas e ficar na torcida de alguém. E quando eu achei que finalmente ia chegar um Big Brother que não servisse de jeito nenhum para acrescentar mais um pouco de filosofia barata para as minhas teorias, veio a final. E nela falou o “poeta” Bial:

“Até que chega uma mulher que esfrega na cara das mulheres tudo que elas detestam ser, ter sido ou vir a ser de novo por alguma circunstância”.

Opa! Bateu.

Mulherada reunida na minha casa e, mesmo sem nenhuma ter acompanhado muito, a torcida era unânime: Maria! O gay da vez era divertidíssimo, o doutor era muso e educado, mas a Maria era... era a gente. Falava merda, se perdia, se embebedava, corria atrás de um cara que cagava e andava para ela. E ela nem aí, ou muitas vezes MUITO aí, jurava que não ia fazer mais nada, mas daqui a pouco lá ia ela e fazia. Umas mais, outras menos, mas convenhamos: todas já foram um pouco Maria um dia.

A questão toda era se o público ia concordar com aquele choque de realidade feminina esfregado na cara. Hipocrisia, já ouviram falar? Fácil julgar, difícil às vezes é se controlar. Ressaca moral, oi? Discussão recorrente entre a mulherada é esse machismo que segue vigente – e que pelo jeito persistirá por muito tempo - dos pré julgamentos em relação as mulheres. A “puta”, a “vagaba”, a “humilhada”. O homem não, sempre vai ser o “pegador”, o “safado” (por incrível que pareça, no bom sentido) e, em últimíssimo caso, o “coitadinho”. E isso não parte só deles não, quantas vezes a gente não se pega destilando exatamente esse veneno em relação a outras mulheres, muitas que a gente mal conhece?

Por isso que, do alto das minhas teorias sociológicas, me parecia que o público não ia aliviar muito para o lado da Maria. Ficou com um, caiu em cima do outro da forma mais vazada possível, resolveu que queria mesmo era o primeiro, deu uma mentidinha básica e rastejou atrás dele até não poder mais. Rolava um papo de um tal vídeo dela na internet um tanto promíscuo, ou que ela já tinha encarnado a Bruna Surfistinha uma vez ou outra e a partir daí as fofocas eram só ladeira abaixo. Até onde isso era verdade eu não investiguei, mas o que me parecia era que, aos olhos do público, o pensamento seria que onde há fumaça, há fogo, e onde há fogo, meus amigos - quanto mais aquele fogo descarado que ela destilava pela casa! - coisa boa não podia dar.

Não que eu não achasse que ela tinha a simpatia do público, pelo contrário: as Marias sempre tem. Geralmente elas são as mais divertidas, as que tem mais história para contar, as melhores companhias. O problema é que na hora do pega-pra-capar, lá vão os reis da hipocrisia escolher as “Adrianas”. Aquelas mesmo, da citação do Bial que morrem de medo de assumir já terem sido Marias uma vez ou outra. Bonitinhas, pseudo-santinhas, mas... chatas. Saqualé? Do tipo que toma álcool duas vezes por ano, uma taça de champagne no natal e outra no réveillon, e para quem os piores inimigos na vida são o carboidrato e a gordura trans. Blagh!

Nunca me esqueci um “conselho” que eu ouvi certa feita: “na hora de escolher com quem se vai casar, escolha alguém com quem goste de conversar. Porque paixão é bom, dinheiro é bom, status e beleza melhor ainda. Mas no fim, lá no final mesmo, a conversa vai ser tudo o que o casal vai ter”. O alto índice de divórcios que se vê por aí deve em muito ser resultado da falta de atenção a este preceito. Porque os homens acabam grudando o estigma de “just for fun” nas Marias da vida e não percebem que, no fim, o “fun” é que devia ser o objetivo. Com cada vez mais gente mala no mundo, achar alguém com quem se consiga realmente rir é um presente.

Pois não é que dessa vez a hipocrisia usual deu lugar para a identificação (que seja para a compaixão!) e a maioria votou para ela ganhar o programa? Bela surpresa. Bom saber que tem gente no mundo querendo ver as Marias se darem bem, simpatizando e jogando a ignorância de lado para reconhecer que no fim de tudo, como disse o Bial, “JOGAR BEM É SE JOGAR”. Ô!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

The sartorialist

Muito melhor do que qualquer editorial da Vogue, quando se trata de observar modelitos, tendências e combinações, são os sites de street style.
Ver o que as pessoas conseguem trazer dos editoriais para as ruas e das passarelas para a realidade acaba sendo muito mais prazeroso do que ficar interpretando a idéia de um estilista. Talvez porque ultrapassa a condição de simples conceito e se torna algo palpável. Posso ficar horas e horas na frente do computador olhando o monte de sites deste tipo que atolam a minha lista de favoritos e saio coma cabeça borbulhando de idéias.

De todos eles, entretanto, um é top. Não sou eu quem diz, é unanimidade mesmo. Scott Schumann, do site The sartorialist (http://thesartorialist.blogspot.com/) é o cara. Considerado o precursor deste tipo de enfoque, deixando de lado as celebs e os tapetes vermelhos e captando pessoas comuns (mas EXTREMAMENTE estilosas), ele inverteu a roda fashion e acabou se tornando referência para estilistas, revistas especializadas e amantes de moda em geral. Como? Fica mais fácil entender ao ver o vídeo "Intel Visual Life", uma produção da Intel que mostra um pouco da rotina do cara.

O que o filme me passa é que ele não vê moda como algo estático, não tenta observar se a pessoa está usando a última tendência, por exemplo: ele reaje instintivamente às imagens. Isso sim, para mim, é pensar moda: uma simples reação a algo que te provoca. Daí a dificuldade que as pessoas tem de ter estilo e até mesmo "perceber" estilo. Isso dificilmente se conquista, requer uma certa sensibilidade inata. O que se vê é que o "sartorialist", sem intentar, utilizando apenas da sua percepção e talento natos seleciona só o que o toca e com isso acaba fotografando tendências ou transformando as suas fotos em. Inncrível, não? Eu acho.

O início do filme, para mim, resume a filosofia de Schumann:

"You never know what it is, what that thing is that drags you to that person, but you just let it happen. It seems obvious, you know, its almost like going out there and let yourself fall in love a little bit everyday, let yourself be seduced a little bit everyday".


Então tá aí, enjoy:

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Férias

Pobre do Purfa, tão abandonado em 2011.

É que o ano começou corrido. E quente. Tão quente que nem dá vontade de ligar o computador ao chegar em casa. Aliás, nem dá vontade de ir para casa. Também não estou com o mínimo saco de comentar as notícias dos jornais, os desabamentos no Rio, a revolta no Egito, a posse dos deputados. Nããã. Tô fora. Analisar comportamento, então, deus me livre. Ainda mais se for o meu. Decidi parar de me analisar por um tempo. Meus neurônios passaram a entrar em recesso às seis da tarde e só retornam quando eu adentro a porta do trabalho no outro dia de manhã. A idéia é passar o resto do verão ligando o meu computador unicamente para ouvir as músicas que eu adoro, ler coisas fúteis, ficar com o ventilador na cara, olhar estrelas, correr pela cidade e depois mergulhar na piscina. Além do trabalho, está decidido que serão essas as únicas coisas com as quais eu irei me comprometer nesses dias. Então fica a dica: distorcendo um pouco aquele comercial de chinelos, dê férias para o seu cérebro. Eu dei, e junto dou mais um mês de férias para o Purfa.


...pensamentos, teorias e devaneios...