quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cinco mile.


Quase 5.000 visualizações desta tentativa de blog. Pouco, comparada com os bam-bam-bãs da web. Muito para quem se limita a falar de vez em quando sobre uma ou duas coisas que passam pela cabeça.

domingo, 20 de novembro de 2011

Growing up




Chegou. Acho que chegou. Chegou a hora em que eu olho para trás e constato, inequivocamente, que estamos crescendo. Meio tarde, posso antever alguns pensando. Não é bem assim.

Até pouco tempo atrás era assunto comum na minha roda de amigas como nós, com vinte e poucos anos, ainda não éramos tão diferentes daquelas gurizainhas de dezessete, que se encontravam nos mesmos bares e falavam praticamente sobre as mesmas coisas. À exceção de um pouco mais de responsabilidade, um trabalho para comparecer e algumas experiências a mais, acho que realmente não éramos tão diferentes assim. Não éramos.

2011 talvez seja o ano mais marcante do início da minha vida adulta. Minha e das minhas amigas mais próximas (que acaba sendo uma extensão da minha). Estive tão absorta nas milhões de coisas que eu tinha para fazer ao longo deste ano que mal reparei - ou notei, mas não dei tanta atenção assim - nas inúmeras mudanças que, pouco a pouco, foram acontecendo na minha volta. E em mim mesma. Para além de casamentos, novos apartamentos, uma gravidez, mudanças de cidade e até de país, evidências óbivas da chegada à tão falada maturidade, o que salta aos olhos mesmo é o nascer de problemas e preocupações muito maiores do que a roupa da próxima festa ou o telefone que não toca. Ah, futuro, que grande ponto de interrogação irritante tu és! Aparentes pequenas mudanças na personalidade que, do correto ponto de vista, não são tão insignificantes assim. O interessante é que isso não quer dizer que a mudança seja ruim, pelo contrário: junto com os problemas mais intrincados vem uma maior segurança sobre como lidar com eles e uma consciência agora formada sobre com quem podemos contar nesse caminho. Bom, né? E melhor ainda é observar que, a despeito de todo esse "crescimento", quando junta todas essas "velhas novas meninas" naquela mesma mesa de bar dos dezessete e dos vinte e dois, o divertimento e o nível de besteiras e risadas continuam exatamente os mesmos e, muitas vezes, o assunto final acaba sendo qual roupa usaremos no final de semana ou porque a porra do telefone não toca!

Crescer é inevitável, amadurecer necessário, mas enquanto a gente continuar sabendo rir de nós mesmas, eu estarei tranquila.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

" "

Ando lendo um livro de crônicas do Miguel Fallabella. Estranho, eu sei, mas caiu nas minhas mãos, comecei e gostei. E não só gostei do livro, como passei a gostar mais do Miguel depois de lê-lo. Maitê Proença, mesma coisa: passou, no meu conceito, de uma futilóide global para alguém, digamos assim, admirável. Quando? Depois que li o livro em que ela conta a história da (nada fácil) vida dela, com um belo texto, mesclando real e imaginário. Não adianta, inteligência e cultura me seduzem demais. Conteúdo, mesmo no meio da futilidade geral diária dos veículos de massa (e talvez por isso!), salta aos olhos. A pessoa fala três frases e já me dá um clique: "opa, quero ouvir mais"! Por isso que eu paro de zapear na hora em que me deparo com algum programa/entrevista/texto com Caetano Veloso, Luis Fernando Veríssimo, Pedro Bial, Zeca Camargo, Alex Atala, Marília Gabriela, Woody Allen, Fernanda Young, Chico Buarque, Jô Soares, Marina Person, Cláudia Laitano, Fernando Meirelles, Fernanda Torres, Fernando Henrique Cardoso, Wagner Moura, Steve Jobs, Natalie Portman. Pop, sim, mas com algum conteúdo.

Acho que uma das minhas maiores aspirações é saber. Já ter lido, já ter visto, poder opinar sobre. Uma frase do João Paulo Paes resume o que eu quero ter: cultura.

"Cultura é tudo aquilo de que a gente se lembra após ter esquecido o que leu. Revela-se no modo de falar, de sentar-se, de comer, de ler um texto, de olhar o mundo. Cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica o seu olhar".

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Se...

Transições, transições. Quem disse que era fácil? Tem que ouvir Pato Fu e manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, atender o Axl Rose quando me sussurra "woman, take it slow, and it'll work itself fine... all we need is just a little patience". Ler um pouco de Fernando Pessoa suplicando por qualquer música que tire da alma essa incerteza que quer qualquer impossível calma ou de Clarice Lispector, que menciona que a impaciência dela chega a ser tão grande que às vezes dói. Por fim, encontrar em um poeminha-quase-auto-ajuda de Kipling a tônica da minha sexta à noite. Voila:


Se...

Se és capaz de manter o senso e a calma
Quando os demais os perdem e dizem que os perdeste,

Se és capaz de confiar em ti quando de ti duvidem
E no entanto perdoares que duvidem,

Se és capaz de esperar sem perder a esperança
E de não caluniar os que te caluniem,

Se és capaz de, odiando, enternecer-te
E sem julgar que és sábio ou exemplo de bons,

Se és capaz de sonhar sem que o sonho te empolgue
E pensar sem que o pensar chegue ao vazio,

Se és capaz de passar por sucesso e fracasso
Sem muito distinguir entre os dois impostores,

Se és capaz de escutar o que afirmas de certo
Alterado por vis para enganar os tolos,

Se és capaz de ver perdido um alvo de tua vida
E seguir atrás dele com a força que sobrar,

Se és capaz de arriscar os teus haveres
Na audácia de um lance e sorrindo ao que ocorra,
E perder, e começar a batalhar de novo
Sem que ouça um suspiro quem esteja ao teu lado,

Se és capaz de exigir da carne combalida
Que prossiga avançando, ainda que aos tropeços,
E vá te sustentando quando já nada reste,
A não ser a vontade que te diz: continua,

Se és capaz de falar aos comuns e ser digno
Ou de andar com reis permanecendo o mesmo,

Se não pode desviar-te inimigo ou amigo
Nem se decepcione o que conte contigo,

Se podes preencher com uma tarefa certa
Os sessenta segundos de um minuto,

Se assim fores, meu filho, a Terra te pertence,
Tudo o que nela existe será teu,
Não receies que o tomem,
Porque acima da Terra, então, serás um homem.

(Rudyard Kipling)

domingo, 11 de setembro de 2011




Um domingo de sol, coroando o desenrolar das coisas. Um brinde ao que há por vir, outro ao que vem sendo conquistado. Ansiedade de lado, equilíbrio ampliado. Como diria Fernando Pessoa, "há metafísica bastante em não pensar em nada".

...pensamentos, teorias e devaneios...