segunda-feira, 9 de abril de 2012

The show

Dos filmes candidatos ao Oscar de melhor filme em 2012, talvez Moneyball seja o mais fraquinho - o que não quer dizer que não seja bom. Aquela coisa: história real, falando de esporte e com o Brad Pitt, muito ruim não podia ser. Mas, muito além de tudo isso, a melhor parte do filme acaba sendo a música do final. Se não viu o filme e não quer estragar a surpresa, nem olha, se não se importa... just enjoy the show:



I'm just a little bit caught in the middle / life is a maze and love is a riddle / I don't know where to go / can't do it alone / I've tried / And I don't know why

I'm just a little girl lost in the moment / I'm so scared / But I don't show it / I can't figure it out / It's bring me down / I know / I got to let it go / And just enjoy the show

Slow it down / Make it stop / Or else my heart is going to pop / Cause it's to much / Yea, it's a lot to be something I'm not / I'm a fool out of love / Cause I just can't get enough

terça-feira, 3 de abril de 2012

Don't watch it... if you can.

Uma insônia do cão vem me acompanhando noite a noite durante toda essa semana. Não adianta, não tem jeito de dormir, é um rola-rola (e não rala-e-rola, o que definitivamente seria preferível) na cama que não para. Até o livro mais chato que habita o meu quarto já foi convocado e nada. O sono não vem.

Nesse intervalo, me distraio como posso, e não é que até acho umas coisas legais? Esse vídeo da Puma é uma delas. Fica aí para os demais insones que passarem por aqui.



"Because in the end the night deserve to be played and channel surfing is not a sport".

sábado, 31 de março de 2012

Sobre melecas e iphones


Desde que surgiu na minha vida essa maravilha chamada smartphone e, mais ainda, esse vício chamado iPhone, que eu venho notando nascer em mim uma relação de amor e ódio. Apesar de AMAR o meu e dele não abrir mão, eu fui aos poucos notando a capacidade que esse aparelhinho diabólico tem de aumentar a minha ansiedade a níveis extremos. Ele simplesmente deletou da minha rotina o "parar e observar". Eu não espero mais o elevador olhando os números dos andares irem diminuindo em cima do botão, pego o telefone e dou um olhada no que andam falando no twitter. Sala de espera de consultório não significa mais ouvir Antena 1 e pensar no que eu ainda tenho que fazer no dia, mas abrir o Instagram e ver como são lindas as fotos daquela amiga que eu sigo. Parei no sinal? Não olho mais o tiozinho do carro do lado tirando meleca do nariz, mas abro o facebook e dou um suspiro pela quantidade de baboseiras que atolam a timeline. Pior: é visível como, ao invés de aumentar, diminuiu a quantidade de conteúdo que eu consumo. Conteúdo, não fragmentos de conteúdo. Ando lendo menos livros, comprando menos revistas e vendo menos filmes. Ainda que eu continue fazendo tudo isso, às vezes me pego parando a minha leitura e dando uma olhada geral no celular para ver o que anda acontecendo pelas redes sociais. Pode?
O David Coimbra escreveu uma crônica excelente na Zero Hora de ontem dizendo, basicamente, que a sua capacidade de ler é bem inferior à quantidade de livros que o interessam, razão pela qual ele não pode perder tempo - e precisa estabelecer critérios. Diz, assim, que não se dá ao luxo de perder uma hora no facebook quando podia estar terminando a 50ª página de um bom livro. A Cláudia Laitano, na Zero Hora de hoje, comenta que na era da superabundância de informação, eleger prioridades tem se tornado cada vez mais difícil: cultura pop e cultura erudita, diversão e notícias, presente e passado. São muitas as vozes que disputam nosso tempo e nossa atenção. Sem foco, piramos na rotina alheia e esquecemos de alimentar a alma.
Eu não sou tão extremista quanto o David, valorizo as facilidades decorrentes desse novo momento tecnológico. Usufruo delas, inclusive. Me incomoda, contudo, notar o quanto elas alteraram a minha própria rotina - e em diversos aspectos para pior. Pior para mim. As possibilidades que o Twitter traz, a aproximação que o facebook acarreta e a admiração que uma foto de um momento especial postada no instagram gera são maravilhosas. Mas preciso tratar isso como um pequeno momento do meu dia e voltar a acalmar o espírito, chegar em casa, largar o celular de um lado, deixar o computador desligado e devorar 50 páginas do meu livro. Conseguir ver dois filmes seguidos sem pensar em qualquer conectividade que não seja com a trilha sonora. Dormir lendo a Piauí. Preciso voltar a conseguir não fazer nada. É isso: a meta é conseguir voltar a rir sozinha, sem fazer nada, ao pegar os tiozinhos no flagra tirando meleca do nariz no sinal fechado.

domingo, 25 de março de 2012

Tudo que eu gosto. Tudo que eu quero.



Gostar ou não de uma música, na minha humilde opinião completamente sem embasamento técnico, é muito mais consequência das nossas experiências pessoais do que de grandes análises técnicas - pelo menos para a grande maioria dos mortais. Muito além da análise da voz, da melodia ou do solo de guitarra perfeito de determinado som, é ao que aquela voz, melodia ou solo nos remete que nos faz gostar mesmo dele. Uma música que nos toca, em síntese, é muito mais reflexo das sensações que ela nos evoca do que qualquer outra coisa.

Tudo isso para dizer que viciei nesse som e não paro de ouvir. Até dá para não gostar de hip hop, odiar o Snoop Dog, mas quem tem pelo menos um pouquinho de "young", algum desejo de "wild" e uma adoração pela sensação "free", vai - se não gostar - pelo menos entender.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Vivendo



Disse Rilke:

"O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo, e eu gostaria de lhe pedir da melhor maneira que posso, meu caro, para ter paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração. Peço-lhe que tente ter amor pelas próprias perguntas, como quartos fechados e como livros escritos em uma língua estrangeira. Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas, porque não poderia vivê-las. E é disto que se trata, de viver tudo. Viva agora as perguntas. Talvez passe, gradativamente, em um belo dia, sem perceber, a viver as respostas. Talvez o senhor já traga consigo a possibilidade de construir e formar, como um modo de viver especialmente afortunado e puro; eduque-se para isso.

Mas aceite com grande confiança o que vier, e se vier apenas de sua vontade, se for proveniente de qualquer necessidade de seu íntimo, aceite-o e não o odeie. A carne é um fardo, verdade. Mas é difícil a nossa incumbência, quase tudo o que é sério é difícil, e tudo é sério. Se o senhor reconhecer apenas isso e chegar a conquistar, a partir de si, de sua disposição e de seu modo de ser, de sua experiência e infância e força, uma relação inteiramente própria (não dominada pela convenção e pelo hábito) com a carne, então o senhor não precisa mais ter receio de se perder e se tornar indigno de sua melhor posse".

Vivendo as perguntas, para um dia, sem perceber, viver as respostas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Duas experiências, uma dúvida e nenhuma conclusão



Cheguei de mais um carnaval memorável no Rio de Janeiro e, no auge da minha velha conhecida "deprezinha-pós-Rio", fui ver "Os Descendentes". Canditaço ao Oscar em várias categorias, o filme é sensível, tocante, além de nos trazer na bandeja um George Clooney cada vez melhor (em TODOS os aspectos!!). Mas como as nossas experiências são as responsáveis diretas pelas sensações que qualquer tipo de arte nos provoca, esse post não é sobre a história ou a moral do filme, mas sobre uma fala específica do personagem principal, a introdução de todo o roteiro e que se encaixa tão bem no turbilhão que povoa a minha cabeça a cada volta do Rio de Janeiro. Diz o personagem principal, que vive no Hawaii, que os havaianos, ao contrário do que acham os que vivem no continente, não são imunes a vida. Que a dor deles não é menor, o sofrimento não é mais ameno. Pois então.

Toda vez que eu vou para o Rio de Janeiro a minha vida parece acontecer como tem que ser e me bate essa vontade absurda de simplesmente largar tudo e ficar por lá, essa impressão de "me pertence", de "eu pertenço", essa familiaridade que não parece existir por acaso. Ao mesmo tempo, eu me pego pensando se tudo isso não se deve muito à eventualidade. Minha válvula de escape, o lugar que eu vou quando estou a ponto de explodir em Porto Alegre e de onde sempre volto plena. Será que não é isso que faz do Rio um lugar tão especial para mim? Será que morar lá me traria a mesma satisfação - ou algo próximo dela - que me trazem as visitas esporádicas? Afinal, como o Hawaii de Clooney, o Rio não pode ser imune à vida.

O problema é que o mesmo pé no chão que me traz esses questionamentos, me diz que uma identificação tão grande não vem a toa e que eu deveria tentar. Porque o Rio pode não ser imune à vida, mas ele é, para mim, o que eu quero da vida. É vivo. Vício. É bom.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Clichê bom

Textinho meio óbvio, desses que recebemos por email, mas nem por isso menos verdadeiro. Daqueles clichês que todo fim de ano pede:

É difícil não sentir esperança. A vida parece ter sido feita para isso. Em vez de um tempo contínuo e inacabável, dentro do qual a nossa existência teria o ritmo dos bichos, habitamos um tempo fragmentado, dividido, que se encerra e recomeça por ciclos – de uma hora, de um dia, de um ano. Esses períodos definem a nossa existência e ajudam a dar sentido a ela. Eles fomentam a esperança.

Lembro de uma conversa, já antiga, em que alguém me explicava, do fundo de uma grande tristeza, o alento que recebia de cada manhã. “Hoje”, ela me disse, “eu posso ser totalmente diferente do que fui ontem, mudar a minha vida, mudar eu mesma e começar do zero. Cada novo dia me apresenta a possibilidade de ser outra pessoa e deixar a dor para trás.” Essa não é uma definição soberba de estar vivo? Andamos tão presos ao passado que ignoramos a possibilidade de mudança embutida no futuro. Começar de novo é a maior delas – para todos nós.

Houve um tempo, quando criança, em que eu costumava me imaginar um homem feito. Teria 25 ou 30 anos, seria veterinário ou agrônomo, seria casado com uma mulher com cabelos de índia e olhos de jabuticaba e viveria, com ela e três filhos, numa casinha rural rodeada de colinas, com cerca de madeira e chaminé, como as crianças costumam desenhar. Nesse cenário idílico, que nunca se materializou, eu seria feliz, destemido e generoso, como os heróis dos livros. Sobretudo, eu estaria pronto, teria me tornado um adulto perfeito – e os adultos, toda criança sabe, não têm medos ou dúvidas.

Os anos se passaram e, a cada 12 meses, a criança que eu era se confronta com o adulto que eu sou. A conversa nem sempre é tranquila, mas é fundamental que ela aconteça. O cara que eu me tornei deve satisfações à criança que eu fui. Tem de lidar com os sonhos dela e com as ilusões que ela engendrava sobre o futuro. O homem tem de contar para o menino que as coisas não são como ele sonhava, que a gente não faz a vida exatamente como quer, mas que, nem por isso, deixamos de ser dignos e bons. É importante que a criança dentro de nós saiba, também, que nunca estamos realmente prontos, nunca crescemos inteiramente, e que as nossas dores – e essa é a pior parte da conversa – não somem quando ficamos adultos. Seguem conosco, mesmo não sendo parte de nós. São como espinhos na nossa carne, e é preciso arrancá-los. Existe, afinal, a esperança de viver sem eles no ano que vem, na semana que vem, amanhã.

A moça com cabelos de índia e olhos de jabuticaba tomou outras formas ao longo do tempo. Foi loira, teve olhos castanhos, cabelos crespos. Mas, em cada mulher real, havia algo da Eva infantil, primordial, que eu procurava como se fosse uma resposta absoluta. Aí há outra complexidade que o menino não previra. Parece não haver uma mulher na nossa história, mas várias. Parece não haver uma única resposta, uma única possibilidade. Também nesse terreno (o do amor), podemos tentar, recomeçar, sonhar, sofrer – ter alegrias e surpresas, enormes.

Então, eu penso, que venha o Ano Novo.

Que venham os velhos e novos amigos. Que o amor encontre o seu lugar na nossa vida e que saibamos reconhecê-lo, preservá-lo ou deixá-lo morrer, quando for preciso. Que o ano nos traga coragem para fazer coisas novas, coragem também para lidar com as coisas antigas que deixamos de lado. Que neste ano a gente se encontre – uns aos outros e a nós mesmos – de um jeito que produza mudança e transformação. Sem auto-indulgência, sem auto-piedade, sem mi-mi-mi. Que 2012 venha para alegrar a criança que fomos e nos ajudar a ser os adultos que merecemos ser – no novo ano, na próxima semana, no dia que vem por aí.

Ivan Martins

...pensamentos, teorias e devaneios...