segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Coisas de ano novo




Que delícia que é virada de ano! Já escrevi por aqui o quanto eu sou apegada a esses festejos dezembrinos e o reveillón é, na minha opinião, a melhor das comemorações. Não tem data que o meu astral fique igual, nem mesmo no meu aniversário.

Adoro programar, rever, pensar, planejar. Adoro a sensação de "posso tudo" que um ano que está começando traz consigo. Dá vontade de começar o que planejamos e nunca fazemos, repensar o que não deu certo e abandonar o que está dando errado. Na minha cabecinha doente de tão otimista, então, parece sempre que tudo vai dar certo no ano que está chegando. Bendito otimismo!

Então, para comemorar o ano novo que chega e o meu astral lá em cima, um pouquinho de Drumond. E depois um pouquinho de Marcelo Camelo, porque poesia na nossa vida nunca é demais!

Feliz 2011!!!


"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a
que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no
limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro
número e outra vontade de acreditar que daqui pra
diante vai ser diferente"

(Carlos Drummond de Andrade)


Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver
(Marcelo Camelo)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A rede social


"Um filme sobre o facebook? Só pode ser babaquice".

Aham, senta lá! Com um roteiro primoroso, uma história das mais interessantes e atuações admiráveis, A Rede Social é, para mim, um dos melhores filmes do ano. Vale a pena ver a história por trás da rede social que já faz parte da vida de 500 milhões de pessoas mundo afora. Mais do que isso, a história do(s) seu(s) criador(es), projetada, por incrível que pareça - e aí está a genialidade - sem estereotipar demasiadamente qualquer um dos envolvidos, deixando para o público decidir se Zuckemberg é um asshole ou não, se os seus ex-parceiros tem razão, se o Sean é um falido em fim de carreira ou não. Retrato do nosso mundo hoje, é um filme que tem muito a acrescentar e que eu recomendozíssimo para uma noite agradável desse verão que vem chegando.

Para ficar com mais vontade, dá um conferes em uma crítica de verdade sobre o filme, do Lucas Salgado (http://www.adorocinema.com/filmes/a-rede-social/criticas/):


A Rede Social por Lucas Salgado
MUITO ALÉM DO FACEBOOK

Quando o projeto de A Rede Social foi anunciado pela primeira vez todos resumiram o filme como "a história por trás do Facebook" e é provável que tal alcunha continue com grande espaço na mídia e no boca a boca dos que assistirem ao longa.

Mas a produção é muito mais do que isso, vai muito além dos bastidores do surgimento da rede social mais famosa do mundo.

O filme também não é sobre a total falta de traquejo social do protagonista, por mais que isso seja essencial para compreendermos o mesmo. E também não busca debater se o criador do Facebook seria um babaca ou não, ainda que a questão esteja presente no início e no final da produção.

A Rede Social é, na verdade, um filme sobre a complexidade do ser humano, sobre como este pode ser ao mesmo tempo inocente, calculista, indiferente e apaixonado. Sobre como a vida de uma pessoa pode cair em um caminho errado por mais que profissionalmente apareça como um Rei Midas, em que tudo o que toca se transforma em ouro.

Se recuperando daquele que ao lado de O Quarto do Pânico talvez seja seu filme menos interessante, O Curioso Caso de Benjamin Button (ignoro por completo a existência de Alien 3 na vida do cineasta), David Fincher volta a realizar um trabalho primoroso.

O nível alcançado volta a ser aquele de Seven - Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, e isso ocorre até pelos mesmos motivos. Apesar de aparentarem serem filmes absolutamente diferentes, os quatro tem em comum o estudo do ser humano. E quase como um antropólogo, o diretor comprova a capacidade de analisar o homem, seja ele um assassino em série, um repórter policial ou um nerd.

A comparação com o campo da antropologia obviamente não deve ser esmiuçada, mas não deixa de ser interessante ver que o cineasta, assim como profissionais da referida área, não se preocupa em julgar o assunto estudado. Assim, veremos que o personagem principal não é nem demonizado nem endeusado.

A história de Mark Zuckerberg, gênio por trás da criação do Facebook, é repleta de características fáceis de serem estereotipadas. O diretor, entretanto, consegue evitar que isso aconteça, relatando os momentos de genialidade, loucura e babaquice do indivíduo de forma natural e convincente. Para isso contou com a ajuda do ótimo Jesse Eisenberg. O ator, que já havia se destacado na comédia Zumbilândia, brilha ao dar vida ao jovem bilionário.

Contando com uma das melhores taglines vistas nos cinemas nos últimos anos ("Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos"), o longa é extremamente verossímil e tão natural que em alguns momentos nos faz esquecer que se trata de uma obra de ficção, que inclusive não contou com nenhum apoio por parte dos agentes reais da história.

Fincher comprovou mais uma vez sua capacidade na seleção de um elenco. Além do supramencionado Eisenberg, Andrew Garfield e Justin Timberlake também foram escolhas acertadas. Novo intérprete do Homem-Aranha, Garfield dá show no papel do brasileiro Eduardo Saverin, (ex) melhor amigo de Zuckerberg e co-fundado do Facebook, enquanto que o ícone pop prova mais uma vez que sua empreitada pela sétima arte é muito mais que uma brincadeira. Timberlake está ótimo como o outro gênio precoce da turma, Sean Parker, fundador do Napster que começa a dar pitacos no dia a dia da rede social.

Merecem destaque ainda a trilha sonora da dupla Trent Reznor e Atticus Ross, e a fotografia de Jeff Cronenweth, que já havia trabalhado com o diretor em Clube da Luta.

Adaptação do livro "Os Bilionários Acidentais", de Ben Mezrich, o filme tem como virtude o fato de não tomar tudo o que está no mesmo como verdade, a começar pela ideia de que tudo não passou de um acidente, de uma obra do acaso. Como o longa mostra muito bem, a criação do Facebook não foi algo simples ou mal pensado.

The Social Network (no original) é um dos melhores filmes de 2010 e merece ser conferido com atenção por retratar como um sujeito nada social foi capaz de criar a maior comunidade social da internet. O segredo parece tratar tudo (e todos) como fatores ou como peões em um tabuleiro, mas é muito menos simples do que isso, sendo provável que cada um saia com sua conclusão da sala de cinema.

David Fincher parte agora para sua versão de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Quem estiver na expectativa pelo filme preste atenção na jovem Rooney Mara. A atriz interpreta a namorada de Zuckerberg no início da produção e dará vida à Lisbeth Salander, personagem principal do mencionado filme.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

BE STUPID

Engraçado que o título do meu post anterior foi "Só os patéticos são felizes" e o deste bem podia ser "Só os estúpidos são felizes". Será que isso quer dizer alguma coisa? Afff!

Enfim, a verdade é que o verão chegou e não tem estação que traga consigo tantas histórias para contar! E é exatamente essa a vibe da campanha passada da Diesel, na minha opinião uma das mais geniais dos últimos tempos. Quase uma filosofia de vida. Muitas vezes quase a minha filosofia de vida. Dêem uma olhada e me digam se não dá vontade de sair fazendo um monte merda só para morrer rindo depois?









segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Só os patéticos são felizes

Não é a toa que o Woody Allen é o Woody Allen. Saí do seu último filme maldizendo o coitado, pensando como um diretor pode alternar entre o genial e a mais infame comédia, elaborando que talvez a razão para isso seja essa obrigação que ele se impõe de fazer um filme por ano. Enfim, saí rindo sozinha daquela babaquice que eu tinha acabado de ver.

Mas é aí que entra “o cara”. Ninguém é “o cara” em alguma coisa por nada, certamente há razões para isso. Sem perceber, comecei a pensar no filme e ver que por trás daquela aparente comédia boba tinha muita coisa interessante, sim. Dos dilemas mais atuais, da descartabilidade dos relacionamentos, do que realmente se busca em um casamento, da idealização que todos fazemos, da eterna busca pela juventude que o mundo hoje nos impõe. Mas acima de tudo, o filme mostrou com maestria uma variação daquele dito que diz que “de perto, ninguém é normal”. É o que diz que de perto, todo mundo é patético! Todos aqueles que se mostravam de alguma forma racionais ou confiantes, ao serem observados com atenção vão demonstrando um dom para serem perdedores. Todos nós somos kind of loosers. E qual não é a surpresa no filme ao se perceber, no final, que aquela única pessoa que era obviamente patética, a perdedora em potencial, é a única que se dá bem? No fim e ao cabo, Woody nos deixa o recado de que às vezes racionalidade e pragmatismo não trazem a felicidade, pelo contrário: nada como uma farta dose de ilusão para seguirmos adiante na vida! Não é à toa que religiões e livros de auto-ajuda vendem muito mais do que terapia e filosofia.

É triste, bizarro, e o que mais me assusta: recorrente. Ando vendo tanta ilusão por aí garantindo uma certa dose de confiança, que chego a maldizer esses meus questionamentos constantes! Aquela velha questão que se impõe: seria a ingenuidade um caminho mais seguro para a felicidade? A contar pelo número de poetas e literatos discorrendo sobre suas angústias, tudo leva a crer que sim.

Eu, por outro lado, prefiro acreditar que não, ainda escolho a noção da verdade ruim ao apoio em uma mentira boa. Pena que cada vez mais os fatos desmentem meus credos. Os fatos e tu, Woody, que mais uma vez me pegou.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Xô urucubaca!

Passei uns diazinhos brabos de angústia na última semana. E das piores angústias. Porque é ruim quando nos agoniamos por motivos corriqueiros, daqueles que nos atormentam dia sim, dia não, como um amor não correspondido, um pé na bunda, uns quilinhos a mais na balança, uma briguinha com a mãe ou uma irritação com uma amiga, mas sempre tem solução, a vida segue. O problema é quando a própria vida fica em suspenso. E aí? Como faz?

Eu me considero uma sortuda pela quantidade de gente que me cerca! Desde o meu nascimento já dizem que foi bagunça, confusão e griatria no hospital e assim seguiu a minha vida. Para se ter uma idéia, quando eu nasci eu tinha 1 tataravó, 2 bisavós, as 2 avós e os 2 avôs, mais uma penca de tios e tias. Meu pai e minha mãe resolveram se separar quando eu era bem novinha e logo logo adicionei padrasto e madrasta pro meu rol de parentes. Além disso, toda minha família sempre foi muito próxima, primos de segundo grau são como primos-irmãos, o que acaba fazendo com que se torne mais gente ainda na volta. De qualquer forma, considero que tive três (grandes) homens responsáveis pela minha criação e que sempre foram (e sempre vão ser) minhas referências: meu pai, que é além de tudo meu grande amigo e parceiro, meu vô Telmo, minha paixão e a personalidade mais querida que eu já conheci, e o Tio Nico, que casou com a minha mãe quando eu era uma pitoca e juntos ficaram pelos vinte anos seguintes.

Pois bem, nesse findi meu vô e o Tio Nico foram parar no hospital e não estavam muito bem não. Pois é, amigos, com o perdão da palavra: putaqueopariu! Não sei nem descrever o cansaço psicológico que foi. Porque nessas horas a nossa vida inteira começa a passar pela cabeça, bate uma nostalgia desgraçada, mais um medo terrível do futuro e, somado a tudo isso, tem aquele climinha de hospital, que não levanta nem o astral da Poliana!

Era engraçado que quanto mais angustiada, mais vontade eu tinha de escrever sobre, mas eu simplesmente não conseguia! Era só pensar no que escreveria e na segunda palavra uma lágrima safada já tava escorrendo do meu olho. Só agora, que a poeira baixou, tudo melhorou, meu vô já está pedindo sorvete e o Tio Nico conversando feliz da vida que eu consegui escrever (um pouquinho) sobre essa função toda. Não, é claro, sem a insistente lagrimazinha nos olhos - ela está sempre presente - mas pelo menos agora com um belo sorriso no rosto!

Xô urucubaca!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Verão taí!!!

Definitivamente o verão chegou. Para mim isso equivale a alegria. Cerveja gelada. Ânimo. Sol. Piscina. Praia. Corrida. Pés descalços. Havaianas. Hmmm....

A arrancada para o verão desse ano traz ainda alguns bônus para a elevação dos ânimos, com um monte de eventos legais para obrigar até os mais caseiros a observarem as calçadas floridas pelos nossos belos Jacarandás e se depararem com as formosas vaquinhas que andam espalhadas por aí!

Só nesse fim de semana tem programação para todos os gostos: hoje é dia de estréia de "O animal agonizante", com direção do Luciano Alabarse, produção do meu amado Fernando Zugno e encenado pelo Luis Paulo Vasconcellos, no sempre belo Teatro São Pedro (texto sobre a peça CLIQUE AQUI).

Esse foi o primeiro livro que eu li do americano Philip Roth e posso dizer que terminei em uma tacada, sem fôlego e impressionada com a habilidade com que ele constrói seu texto. Ele, inclusive, é sempre cotado para receber o Prêmio Nobel de Literatura (comentário para que corram lá para conhecer sua obra para poderem discorrer sobre ela quando - e se - esse prêmio chegar! Hehe).

Amanhã e sábado é dia de stand-up comedy com o CQC Marco Luque no Teatro Bourbon Country. Segundo um amigo meu conhecedor desse tipo de espetáculo, o Luque é um dos melhores. Eu vou conferir.

O fim de semana ensolarado chama ainda uma passeada pela nossa Feira do Livro, quem sabe com uma salada de frutas da Banca 40 do Mercado Público antes e um chopinho no Chalé da Praça XV depois? E até uma passada no Santander Cultural para conferir a vídeo-instalação do Bob Wilson que está rolando por lá desde o Em Cena e fica até dezembro. Já dá para aproveitar e comer por ali mesmo, no Restaurante do Cofre, que tem coisas deliciosas.

Já domingo é dia de Paul McCartney no Beira-Rio, reunindo portoalegrenses de todas as idades, grupos, profissões. Da minha casa, por exemplo, vai todo mundo (só não vai o cachorro porque ele foi morar no sítio). Chance única de ver um beatle cantar de frente para o Guaíba, um pouco depois de cantarolar com Kleiton e Kledir que deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre e tchau.

E as programações não acabam, a tendência é "piorar". Mais um feriadão em vista, Groove Armada por aqui no dia 11/11, e dizem que até David Guetta dia 12... E depois função natal/ano-novo começa a bombar.

Por isso que eu seguirei no meu período zen-budista-caseira-relax, saindo sempre que o evento pede. Ou que o tempo pede. Ou que a sede pede. Enfim, saindo sempre que necessário.

É, peguem um pouco de fôlego: o verão chegou e ele não tá para brincadeira.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ca-ca-ca-carecos:

- Tá aí, mais um filme brasileiro sensacional: Tropa de elite 2. Vejam, vejam, vejam. Muito melhor do que o primeiro, com um roteiro bem amarrado, cheio de situações "corriqueiras" na nossa sociedade e, ainda, belas atuações. Wagner Moura mais uma vez desponta como o grande ator dessa geração. E José Padilha termina uma bela trilogia, somando com o primeiro e o documentário Ônibus 174.

- Não aguento mais campanha eleitoral. Debates que na realidade são monólogos, já que ninguém responde coisa alguma. Baixaria. Extremismos. Presidente da República virando um singelo cabo eleitoral. Vem cá hein... o Tiririca não é candidato a presidente não?

- Quero que 2010 acabe logo. Eu já tinha previsto algumas dificuldades quando ele se aproximava e assim foi. Quero ano ímpar! Ímpar!!!


- Ando sentindo falta. Da Mari, da Paula, do Zé, das férias, da praia, da estrada, da corrida.

- Mais uma prova de que estamos crescendo: imóveis já estão sendo adquiridos entre as minhas amigas. Eu, por outro lado, do jeito que não consigo economizar, vou me manter jovem até os 40.

- Show Maria Gadú/Multishow ao vivo: bom demais! Dvd já consta na minha wish list.

- Morreu o polvo Paul e o Kirchner. E eu com isso?

- E deixo vocês com o Paul que não é o polvo, com aquele Paul, o que eu estarei vendo e ouvindo no dia 7/11 no Gigante:

This is my right
A right given by god
To live a free life
To live in freedom

Talking about freedom
I’m talking about freedom
I will fight for the right
To live in freedom

And do you want
To try to take it away
You will have to answer
Cause this is my right

Talking about freedom
I’m talking about freedom
I will fight for your right
To live in freedom

...pensamentos, teorias e devaneios...