segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre casamento.

Os meus 25 estão chegando...aff, 25! Não estou em crise de idade nem nada, acho que essa já deu as caras para mim ano passado (tem até post aqui sobre isso). Mas de qualquer jeito, não tem muito como não ficar confabulando, nem que seja um pouquinho, sobre o futuro. Porque ele já não parece mais tão distante, aliás, ele tá logo ali na frente. "O que você vai ser quando crescer", "com quantos anos vai casar", "quantos filhos vai ter", já não são mais perguntas aleatórias, daquela época em que a gente acha que tem poder para decidir essas coisas. Quer ser atriz, casar cedo ou ter 3 filhos? Vai atrás, filha, tic-tac-tic-tac-tic-tac!

No meio dessas confabulações, principalmente nos neurônios fervilhantes da cabeça feminina, sempre está presente a idéia do casamento. Claro: 3 em cada 4 comédias românticas americanas mostram o casamento como o objetivo último de felicidade da mocinha. E 3 em cada 4 mocinhas com quem eu convivo acreditam nessa idéia. O que me preocupa, meus caros, é que eu não.

Explico: não é que eu não quero casar, é que eu simplesmente não vejo como uma festa no Plaza para 400 pessoas pode ser o meu final feliz. No auge do meu romantismo eu até imagino uma declaração de amor inesperada numa viagem como o meu final feliz, a descoberta de uma gravidez desejada, a decisão de morar juntos tendo a mais completa certeza de que isso é o certo a se fazer. Já o vestidão branco e o buquê na mão... hmmm, não me dizem muita coisa não! Encontrar alguém com quem eu tenha total sintonia eu quero, tomar chuva de arroz com ele... não sei. Amor sim, casamento não.

E quando eu digo que isso me preocupa eu estou sendo sincera. Porque eu acho tão mais fácil simplesmente ser tradicional às vezes. Conforme o tempo vai passando e eu vou vendo as pessoas tomarem os seus rumos, eu vou percebendo que certas gurias são - e sempre foram, é muito fácil perceber - "casadouras", por assim dizer. E essas gurias, eu digo com a mais absoluta certeza, VÃO se casar. Não sei se com o amor da vida delas, não sei se serão felizes, mas aquele "final" é um objetivo tão concreto na cabeça delas, que vai acontecer.

Já o tipo das não-casadouras, no qual eu me auto-insiro, é tão mais complicado... É o tipo que tem muitos objetivos além de uma vida a dois: tem os planos profissionais, viagens, tem uma vida pessoal e social bem feliz, mesmo estando sozinha. E isso não quer dizer que elas não queiram casar, todo mundo quer alguém, óbvio. Mas simplesmente precisam de muito mais para abrirem mão de tudo que querem conquistar. Aliás, precisam conciliar - e conciliar, meu bem, ah, conciliar não é nada fácil!

Aí eu, que sempre me orgulhei da minha independência, de gostar de ir no cinema sozinha às vezes, de não ver problema algum em simplesmente tacar meu carro e pegar a estrada, começo a pensar se isso não é um peso às vezes. Lendo a biografia da Simone de Beauvoir (livro que eu a-mo! #ficadica), noto que admiro demais pessoas que não seguem o estipulado, que trilham o seu próprio caminho(alguém quer saber a história de vida do cara certinho que paga todas as contas em dia, casou, tem filhos e come macarronada todo domingo? NOT!). O problema é que nas biografias dessas pessoas admiráveis acaba ficando evidente, também, que isso muitas vezes traz sofrimento. O Sartre dizia que "ser livre era assutador. A maioria das pessoas fugia da sua liberdade". E não é?

Sobre o casamento, diz Simone: "falo de amor de forma mística, sei o preço. Sou muito inteligente, muito exigente e muito engenhosa para alguém ser capaz de se encarregar completamente de mim. Ninguém me conhece nem me ama completamente. Só tenho a mim". E completa: "para mim, uma escolha nunca é final: está sempre sendo feita (...) O horror da escolha definitiva é que envolve não só o eu de hoje, mas também o de amanhã, razão pela qual fundamentalmente o casamento é imoral". Um bocado extremista, claro, mas não deixa de ter certa razão.

O engraçado é que ela fez sim a sua escolha defintiva: muito embora não tenham se casado e tenham tido diversos relacionamentos paralelos, Simone e Sartre ficaram juntos do início da juventude até a morte dele, após 51 anos de convivência e de um dos amores mais bonitos que já me descreveram. Eu não devo ser nada tradicional mesmo, pois acho que prefiro um amor verdadeiro e puro como o deles, ainda que entremeado por escândalos e casos paralelos, do que um casamento Doryana.

Eu sei, eu sei. Eu avisei que o meu caso era preocupante!


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E no extremo oposto dessa minha convicção, acabo de ser convidada para a festa de noivado (sim, eu disse NOIVADO - isso ainda existe!)da minha mãe! Admito que achei meigo e bonitinho.

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